Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 01/07/2021

No filme “Toy Story 4”, o boneco Woody decide doar uma pequena parte do seu corpo em prol de um bem maior de seus colegas. Fora das telas, nota-se que atitudes como a de Woody precisam ser incentivadas. Ao refletir a respeito dos dilemas da doação de órgãos, no século XXI, vê-se que a problemática ocorre em virtude de dois fenômenos: falta de comunicação do paciente, acompanhada pela omissão do governo. Dessa maneira, faz-se indispensável enfrentar essa realidade com uma postura crítica.

A princípio, torna-se possível perceber que para a realização da doação de órgãos ser efetiva, é necessário avisar previamente os familiares. Diante disso, percebe-se que o empecilho principal para a doação é que os pais e responsáveis não autorizam, por não saberem da decisão do paciente. Em função disso, a falta de comunicação, na maioria dos casos, ocorre por falta de oportunidade, visto que a morte ocorre de forma abrupta. De maneira análoga, na série de TV “O Bom Doutor”, em certo episódio, é contada a história de uma menina que é vítima de um acidente, a qual acaba falecendo, sem ter tempo de falar com a família, os pais ficam em dúvida se devem doar ou não os órgãos da filha. Posteriormente, ela percebe quantas vidas a sua filha ajudaria e permite a doação.

Além disso, o descaso do governo contribui para a falta de doações de órgãos. À vista disso, nota-se que mais de 70% dos órgãos não são aproveitados no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), principalmente por falta de instalações adequadas, pois os órgãos precisam de condições específicas, como por exemplo de armazenamento, temperatura e materiais cirúrgicos. Seguindo essa linha de pensamento, verifica-se que é inadmissível que órgãos sejam descartados de salvarem vidas pela falta de organização governamental.

Por conseguinte, fica claro que ainda há entraves para assegurar a construção de um mundo melhor. Conforme já dito pelo ativista Nelson Mandela, a educação é capaz de mudar o mundo. Portanto, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, na sociedade civil, conferências gratuitas, em praças públicas, ministradas por psicólogos que discutam a importância da conversa sobre doação de órgãos entre familiares, com o objetivo de que cada vez mais órgãos sejam doados através de um aviso. Desse modo, faz-se imprescindível que parcerias entre empresas público-privadas e o Ministério da Saúde sejam realizadas para arrecadação de verba, as quais serão voltadas para a melhoria das instalações hospitalares, de modo a preservar os órgãos em melhores condições, a fim de que o tecido social desprenda-se de certos tabus e que atitudes como a de Woody sejam cada vez mais comuns na população.