Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 02/08/2021
(1) No Brasil, a doação de órgãos é assegurada desde 1964, quando ocorreu o primeiro transplante bem-sucedido de um rim no Hospital dos Servidores, no Rio de Janeiro. Hodiernamente, observa-se que essa prática está escassa devido ao surgimento da pandemia, pois alguns estados registraram uma redução significativa no número de doadores, influenciada principalmente pela suspensão de voos seguida da pouca sensibilidade humana.
Conforme a Associação Brasileira de Doação de Órgãos (ABTO), a taxa de doadores efetivos caiu 6,5% em comparação com o primeiro semestre do ano de 2019. Essa redução torna-se preocupante já que vivenciamos um quadro avassalador da COVID-19 que vem afetando a saúde brasileira. Esse momento acabou atraindo pontos negativos ao referir-se a voos que necessariamente são os principais responsáveis no transporte do órgão até o seu receptor.
Além disso, muitos brasileiros falham nessa missão por pura insciência. É muito provável que a maioria não quer “desfazer-se” dos órgãos de um ente querido. Segundo o psicólogo Marcos Antonio Barg do SPOT (Serviço de Procura de Órgãos e Tecidos), o luto é um processo em que vai ser preciso lidar com o rompimento de um vínculo com alguém significativo. Ainda acrescentou em suas palavras que considera a morte como um evento da vida, e que não é necessário vê-la como nefasta. É por isso a grande importância da conscientização das pessoas para doarem órgãos.
Portanto, é de forma consciente e profissional que o Ministério da Saúde deverá continuar agindo incessantemente na luta contra o coronavírus, incentivando ainda mais as medidas sanitárias dadas pela OMS para que facilite o deslocamento dos órgãos. Ainda assim, o Conselho Federal de Psicologia deverá acionar psicólogos para lidarem com as famílias enlutadas através do diálogo efetivo, de forma a antená-los à verdadeira realidade sobre doar ou não os órgãos. Em suma, a morte é um momento delicado e doloroso para os que perdem.