Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 10/07/2021

Segundo o Ministério da Saúde, a lista de espera por doações de órgãos chega a 50 mil pessoas entre 2019 e 2020. Nessa pesperctiva, na conjuntura contemporânea, nota-se desafios para a efetivação da doação de órgãos, os quais propiciam a perda de milhares de indivíduos que necessitam de um transplante para sobreviverem. Nesse contexto, urge analisar como a negligência estatal e a recusa familiar  impulsionam tal problemática.

Convém ressaltar, a princípio, que os obstáculos da doação de órgãos estão intrinsecamente relacionados à inobservância estatal. De acordo com a Uol , apenas 11,8% dos transplantes de órgãos acontecem nas regiões Centro-Oeste e Norte. Nesse viés, tal panorama ocorre, sobretudo, devido aos mínimos investimentos do Estado em saúde pública, visto que uma parcela da população possui acesso restrito as competências da saúde. Diante disso, a carência de serviços e equipamentos especializados em transplantes em alguns locais  agrava as discrepâncias sociais e, consequentemente, contribui para as perdas costantes de potenciais doadores.

Outrossim, vale salientar que a recusa de algumas famílias em permitir a doação dos órgãos de seus entes dificulta a realização dos transplantes. Conforme dados do Registro Brasileiro de Transplantes, a recusa familiar na hora de doar os órgãos dos pacientes já falecidos chega a 43%. Nesse sentido, a falta de conhecimento acerca do diagnóstico de morte encefálica - necessário para a realização dos procedimentos - prejudica a efetivação das doações. À vista disso,  tal situação é consequência da falta de difusão de informações no meio social sobre esse processo, uma vez que milhares de pessoas não possuem percepção no que concerne a doação de órgãos. Desse modo, esse cenário de dúvidas sobre o imbróglio ocasionam o receio familiar em autorizar o processo.

Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas estratégicas para promover a doação de órgãos no âmbito social. Logo, cabe ao Ministério da Saúde - como instância máxima da administração da saúde pública - ampliar os centros especializados em transplantes em regiões com carência de realizações desse processo, como o Centro-Oeste e Norte. Isso deve ser feito por meio de subsídios governamentais, a fim de minimizar as desigualdades regionais e,concomitantemente, reduzir a lista de espera de efetuação dos transplantes. Assim, espera-se alcançar uma sociedade com  maior número de doadores.