Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 12/07/2021
Durante a série “O Bom Doutor”, observa-se os desafios encontrados por pacientes que aguardam na fila de espera pelo transplante de órgãos. Assim como no seriado, muitos brasileiros passam pela mesma condição durante anos devido à ausência de doadores de órgãos no país. Dessa maneira, o problema se deve à negação dos familiares e pelo baixo incentivo à doação.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a negativa da família é um dos principais motivos para que um órgão não seja doado. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), cerca de 43% das famílias recusaram a doação de órgãos dos parentes após a morte encefálica em 2018. Desse modo, as razões para que os familiares neguem a doação é a falta de conversação entre os parentes sobre o assunto e a ausência de conhecimento sobre o processo de doação. Muitas famílias acreditam, por exemplo, no retorno do paciente após a morte encefálica ou que o corpo seria prejudicado após a retirada de órgãos.
Dessa forma, é válido destacar a falta de incentivo e de conscientização sobre o processo de doação de órgãos no Brasil. De acordo com o sociólogo Auguste Comte, o “altruísmo” é a capacidade que o indivíduo possui em pensar no bem do outro. No entanto, tal medida é pouco observada entre os brasileiros, visto que são poucos os que pensam em doarem seus órgãos como uma forma de ajudar a salvar a vida do outro. Além disso, são poucos os que realmente entendem o processo de doação de órgãos e como isso funciona. Assim, o pouco estímulo à doação por meio do Estado impede que as pessoas pensem e debatam sobre o assunto.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o problema. A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos deve criar campanhas que incentivem a doação de órgãos entre os brasileiros por meio das mídias. Essas campanhas, apresentadas nos canais de televisão e na internet, devem conter a importância do processo de doação para o salvamento de vidas e como isso ocorre. Ademais, é importante que a ABTO esclareça o processo para os familiares de pacientes que se encontram no estado de morte encefálica, para que esses possam pensar de forma consciente sobre a adoção. Desse modo, mais indivíduos estarão motivados a doarem os seus órgãos e poderão conversar com suas famílias sobre o assunto. Espera-se, com essa medida, que o incentivo a doação de órgãos seja uma realidade no Brasil.