Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 25/09/2021
De acordo com a Constituição Federal de 1988, a saúde é direito de todos e dever do Estado. No entanto, no Brasil, muitps cidadãos não são assegurados desse benefício no que se refere à doação de órgãos e têm suas funções corporais comprometidas o são levadas à óbito. Essa ausência de órgãos disponíveis se deve ao extremo silenciamento do problema e à falta de empatia de familiares de possíveis doadores, o que compromete sua resolução.
É válido pontuar, de início, que a não abordagem do tema relacionado a doação de órgãos é a causa principal do baixo nível de doadores. Nesse sentido, e de acordo com o escritor José Saramago, em sua obra “Ensaio sobre a Cegueira”, a sociedade tende a não enxergar como um problema algo que não é visto por ela, o que leva a deixar de lado várias questões sociais. Dessa forma, a ausência de campanhas na mídia que incentivem a doação de órgãos gera um esquecimento generalizado do assunto e leva a uma não mobilização de futuros doadores, o que intensifica a falta de órgãos no país.
Além disso, a carência de empatia de familiares de vítimas passíveis à doação agrava ainda mais o impasse. Sob essa ótica, e de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, em sua teoria sobre a Modernidade Líquida, os indivíduos vivem em uma sociedade extremamente individualista e egocêntrica, na qual as relações sociais e o cuidade com o próximo não existe. Dessa maneira, muitas famílias ao invés de doarem os órgãos de seus entes queridos, preferem que eles sejam decompostos e que não cumpram nenhuma função, o que deixa de salvar muitas vidas e familiares de outrem.
Logo, medidas são necessárias para resolver o problema da doação de órgãos no Brasil. O Ministério Da Saúde, aliado à mídia, deve promover a criação de campanhas televisivas que mostrem a importância de ser um doador, e o baixo nível dos estoques de órgãos. Essa propaganda deve ser feita por meio da presença de médicos e familiares, com a finalidade que todos possam tirar suas dúvidas sobre o assunto e que possíveis doadores comuniquem sua vontade à família. Desse modo, o problema da doação de órgãos não sera mais silenciado e a sociedade se tornará mais empática.