Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 29/07/2021

No filme “Sete Vidas”, o debate sobre doação de órgãos vai além dos dramas e traumas dos protagonistas e encontra todo o potencial transformador desta ação. De forma análoga à realidade, doar órgãos traz esperança para quem está na fila de transplante. Por isso, expandir essa prática no Brasil é um desafio necessário para o país, haja vista os dilemas sobre informações e doenças limitadoras que mantém os baixos números de doadores e todas problemáticas de saúde derivadas desse cenário.

Nesse contexto, a falta de conhecimento e campanhas amplas sobre o tema é inegável. Isso é visto com os dados da Aliança Brasileira Pela Doação de Órgãos e Tecidos (Adote), os quais exibem o baixo alcance da publicidade sobre esse tema, pois, apesar do aumento de doadores no país, a população desconhece quais são os fatores que impedem a doação e o modus operandi da prática. Dessa forma, ao comparar com campanhas nacionais de sucesso, a exemplo da antitabagista, os curtos comercias comerciais com a sintética frase “informe sua família” demonstram serem ineficientes e o apelo de salvar vidas, infelizmente, é omitido nas peças publicitárias.

Para além disso, outra questão digna de nota é bem conhecida do poder público, as doenças negligenciadas no Brasil que impossibilitam a doação de órgãos. De fato, tuberculose, hepatite e doença de chagas não são uma novidade para a saúde nacional, tanto que existem secretarias especializadas sobre esse tema no governo. Porém, a persistência dessas doenças, mesmo com políticas públicas, é um claro sinal de ineficiência, e os reveses para o Sistema Único de Saúde (SUS) são inúmeros, seja com a sobrecarga, seja com atrasos e aumentos na fila de transplante. O que, de tal modo, agrava todo cenário de transplante e fragiliza ainda mais a saúde do brasileiro.

Diante do exposto, valorar o ato de doar órgãos, assim como ocorreu no filme “Sete Vidas”, é também atribuir valor a vida, desse modo, o Estado deve fazer jus ao bem-estar do brasileiro. Para que isso ocorra, o Ministério da Saúde precisa informar a população e esclarecer as dúvidas sobre o tema, por meio de campanhas publicitárias, especialmente na internet, com o intuito de educar o cidadão médio e também incentivar essa prática. Somado a isso, o governo, como protetor do povo, tem a obrigação de reformular as políticas públicas atuais sobre as doenças citadas, por meio da união de especialistas em saúde de todo o país, para que finalmente supere os velhos entraves do SUS e salve vidas brasileiras.