Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 04/08/2021

O primeiro transplante de órgão vital registrado foi realizado em 1954 pelo médico norte-americano Joseph Edward Murray, o que lhe rendeu um prêmio Nobel de Medicina. Apesar desse avanço na saúde e na prevenção de mortes, muitos brasileiros ainda não tem consciência da importância da doação de órgãos, fato que gera muitos dilemas na sociedade. Nesse contexto, para mudar esse cenário, é necessário que a desinformação da população e a omissão do Estado sejam desconstruídas.

Primeiramente, um dos elementos que corroboram para o dilema da doação de órgãos no Brasil é a falta de informação a respeito do tema por parte da população. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade é orientada a partir dos fatos sociais, que são formas de pensar e agir coletivamente e repassadas para as gerações seguintes. Por isso, a falta de debate sobre o transplante de órgãos fez com que esse tema se tornasse um tabu, já que as pessoas não conseguem visualizar a importância dessa ação e não são estimuladas nesse sentido. Sendo assim, enquanto não houver mudança a respeito desse problema, a situação continuará em inércia.

Além disso, não há incentivo por parte do Estado no intuito de transformar esse cenário, haja vista a falta de programas e leis que visem o aumento de doadores. Embora muitas pessoas manifestem a vontade de ser doadoras, a família ainda é a responsável pela autorização do processo, a chamada doação consentida, o que muitas vezes inviabiliza a ação, visto que muitos familiares no momento da perda do ente querido não conseguem racionalizar como o ato de doar os órgãos do falecido pode ser um ato de solidariedade ao próximo. Assim, é inegável a necessidade de um amparo legal que apóie os potenciais doadores.

Portanto, para que os dilemas relacionados à doação de órgãos no Brasil sejam rompidos, é importante a criação de novas medidas legais. Para isso, os deputados e senadores devem criar uma lei em que os cidadãos tenham garantida o seu desejo de doar os órgãos e as famílias respeitem essa decisão. Dessa forma, o projeto de lei deve apresentar medidas para que isso aconteça, como a confecção de carteiras de doador ou mesmo autorização mediante reconhecimento em cartório. Assim, no momento de luto a família não precisará tomar decisões que vão contra o desejo do falecido e isso, por consequência, aumentará o número de órgãos disponíveis para o salvamento de vidas.