Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 06/08/2021

A Doação de Órgãos em questão no Brasil Vive-se, no Brasil, uma situação crítica com relação à doação de órgãos, visto que, segundo o jornal O Globo, as famílias não autorizam a doação em cerca de 50% dos casos. Isso acontece, em parte, porque tais familiares desconhecem os processos do procedimento e conceitos básicos como morte encefálica, duvidando da segurança da doação. Além disso, trata-se de uma pauta pouco explorada tanto em campanhas governamentais quanto em outras esferas, como a escolar, dificultando que a população assimile a importância desse ato e fique ciente dos pormenores do assunto.

A princípio, é relevante ressaltar que uma parte muito pequena das mortes encefálicas é revertida em doação de órgãos. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, apenas 1.800 doações das 6 mil possíveis em 2012 foram autorizadas pelas famílias dos pacientes com morte cerebral. Dessa forma, é possível aferir que por conta da falta de esclarecimento desses indivíduos acerca do processo de retirada dos órgãos, a tendência natural é a negação, já que não é comum que campanhas sobre o tema sejam veiculadas na televisão ou nas redes sociais. Diante disso há as pessoas que acreditam que pode haver até roubo dos órgãos como forma de corrupção nos hospitais, complicando a situação de quem aguarda na lista de transplantes.

Outrossim, apesar de existir um bom funcionamento da instituição de saúde quanto aos transplantes de órgãos, considerando que, ainda segundo o jornal O Globo, 93% dos procedimentos são feitos pelo SUS, pouco investe-se na assimilação individual acerca da importância da doação. Esse assunto e seus devidos esclarecimentos não são pautas comuns nas escolas, desde o ensino fundamental até o ensino médio, nem mesmo nas aulas de biologia. Por conta disso, a temática fica pouco explorada e em um eventual momento de decisão, a família reage com surpresa ao sugestionamento dos médicos sobre a importância da retirada dos órgãos, não autorizando-a devido ao desconhecimento e ao choque de uma situação delicada.

Logo, é visível que o obstáculo da desinformação e do desconhecimento precisam ser superados com o fito de aumentar a quantidade de doações de órgãos. Assim, é dever do Ministério da Educação, por meio da modificação da Base Nacional Comum Curricular incluir o ensino detalhado do procedimento e da importância da doação de órgãos nas aulas de biologia destinadas ao Ensino Médio, com o intuito de introduzir previamente o conhecimento aos cidadãos brasileiros e garantir que em uma possível decisão que tenham de tomar sobre o assunto, estejam em plenas condições de decidir conscientemente.