Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 10/08/2021
Em um dos episódios da série " Chicago Fire", é retratada a história de uma mulher que esperou mais de 1 ano o transplante de uma medúla óssea. Fora da ficção, esse cenário não se encontra distante, visto que a doação de órgãos, no Brasil, ainda encontra obstáculos para que ocorra de forma efetiva. Esse quadro é fruto, principalmente, da omissão governamental e da pouca atuação do corpo social. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores supracitados.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que a negligência do poder público é um impulsionador desse revés. De acordo com o fiósofo contratualista Rousseau, quando o Estado não assegura os direitos dos cidadãos, há a quebra do contrato social. Nesse sentido, pode-se afirmar que houve a quebra desse contrato, uma vez que a saúde de qualidade, que é um direito estabelecido pela Constituição Federal, não é oferecida a todos. Tal fato ocorre devido ao investimento mínimo das autoridades em políticas públicas que favoreçam a doação de órgãos no país - como capacitação de profissionais, melhoria da infraestrutura de hospitais, campanhas midiáticas que fomentem a doação, entre outras medidas. Diante disso, fica claro que é necessária a reformulação da postura estatal de forma urgente.
Outrossim, é lícito postular que a falta de alteridade da população, em conjunto com a desinformação, agrava a problemática. Segundo o filósofo Jeremy Bentham, em sua tese sobre o Utilitarismo, uma ação moralmente ética deve gerar benefício ao maior número de pessoas. Contudo, nota-se que, na realidade brasileira, o ideal de Bentham encontra-se deturpado. Isso porque, mediante a falta de veiculação midiática de informações sobre doação de órgãos, como a explicação de termos técnicos e dos processos cirúrgicos, há pouco engajamento por parte da sociedade. Dessa forma, percebe-se que essa lógica precisa ser revertida.
Torna-se evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para que haja a mitigação do problema. A princípio, o Ministério da Saúde deve investir na melhoria da infraestrutura dos hospitais, com a compra de equimapentos que facilitem o processo, e na capacitação de profissionais, por meio de aulas e palestras sobre a doação de órgãos. Sendo assim, a rede pública de saúde estará apta para realizar os transplantes de forma adequada. Ademais, o Ministério da Saúde, em conjunto com a mídia, deve veicular informações acerca dos processos de adoção - como os pré-requisitos para ser um doador, os riscos dessa cirurgia, os benefícios para a pessoa que está na lista de espera, entre outros- afim de mobilizar o corpo social. Logo, a ocorrência desse tipo de cirurgia irá aumentar e a ética de Jeremy Bentham será seguida.