Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 19/08/2021

Dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) afirmam que o Brasil possui o segundo maior programa de transplante de órgãos, tecidos e células do mundo. No entanto, apesar do grande número de cirurgias, muitos pacientes ainda integram as listas de espera, sendo a perpetuação desse cenário provocada, majoritariamente, pelo individualismo e pela desinformação a respeito do procedimento. Nesse sentido, urgem medidas governamentais para que mais pessoas sejam contempladas com o tratamento.

Em primeira análise, método pelo qual a atriz Drica Moraes adquiriu nova medula óssea e curou a leucemia, a doação consiste na transferência de partes do corpo do doador para um receptor com o fito de restaurar o funcionamento do organismo enfermo. Nesse contexto, o sucesso de tal atividade no país está vinculado à assistência do Sistema Único de Saúde (SUS) que, segundo o SNT, é o responsável pelo financiamento de 96% dos procedimentos realizados em território nacional. Dessa forma, milhares de brasileiros têm a oportunidade de alcançar melhores condições de vida.

Em segunda análise, observa-se a necessidade de maior empatia e engajamento da comunidade, uma vez que, de acordo com o filósofo John Stuart Mill, a ação moralmente certa é aquela que maximiza a felicidade para o maior número de pessoas. Além disso, as doações oriundas de indivíduos já falecidos podem beneficiar diversos cidadãos, porém a Constituição federal atribui à família o dever de autorizar procedimentos nessas circunstâncias. Logo, os debates relacionados à temática devem ser constantes, pois a ausência desses compromete o programa devido à falta de informação em relação à relevância dos transplantes e ao desejo do familiar.

Portanto, as escolas precisam abordar o altruísmo, por meio da interdisciplinaridade entre filosofia e biologia – visto que atos solidários exercem influência sobre a fisiologia humana- com objetivo de conscientizar as futuras gerações. Somado a isso, cabe ao Ministério da Saúde, mediante o redirecionamento de verbas, elaborar campanhas de divulgação veiculadas pelas emissoras de televisão e pelas redes sociais. Essas deverão conter informações relativas às cirurgias bem como depoimentos de pessoas transplantadas com o intuito de acentuar as doações de órgãos no Brasil.