Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 22/08/2021

No documentário “Anjos da Vida”, é retratada a jornada da enfermeira Valéria, do Serviço de Procura de Órgãos e Transplantes (SPOT), que em um curto período de tempo, precisa convencer uma mãe a doar os órgãos do filho de apenas 12 anos recém falecido, para uma jovem de 15 anos. Essa história mostra o que acontece comumente no Brasil, que apesar de ter o maior sistema público de transplantes do mundo, ainda apresenta mais de 35 mil pessoas na fila de espera para receber uma nova oportunidade de vida, que é a doação de órgãos. Isso se torna um problema, tendo em vista que a decisão da doação é feita pelos familiares, que muitas vezes, em momento de recente perda, se recusam a doar tecidos de seus entes queridos.

Em primeira análise, é preciso destacar que a doação é necessária quando um indivíduo apresenta uma doença relacionada a algum tecido que não possua opção de tratamento, a não ser sua substituição. Por conseguinte, após uma avaliação, entra-se em uma fila de transplantes, que leva em consideração critérios como tipo sanguíneo, local de doação, gravidade do paciente, e o tempo em que está em espera. Tendo em vista a grande quantidade de pessoas em aguardo, é evidente que muitas acabam não resistindo e tendo graves problemas, tais quais como a fatalidade.

Outro aspecto que deve ser considerado é a problemática da grande extensão do país relacionada com os transplantes de órgãos. Um dos principais critérios para que o processo seja executado, é a distância do doador para o indivíduo necessitado, e longas horas de transporte podem tornar o órgão inviável. Assim, levando em consideração que áreas mais desenvolvidas do país (como o Sudeste) apresentam um contingente de doações muito maior, pessoas necessitadas que habitam locais ainda emergentes em relação a cirurgias de transplante, acabam ficando para trás. Isso acontece em áreas nas quais muitas famílias negam a doação (por estarem emocionalmente sensíveis ou por não terem conhecimento de como funciona tal procedimento) e até pelo fato da Secretaria da Saúde não oferecer a opção de doação para a família que teria o ente querido como doador, mas não foi ofertada.

Diante do exposto, fica claro que medidas devem ser adotadas com o objetivo de amenizar o cenário atual. Em primeiro lugar, é papel da Secretaria da Saúde discutir com os familiares de recém-falecidos, as possibilidades e os benefícios da doação dos órgãos, esclarecendo todas as dúvidas sobre o assunto. Também é papel fundamental do Ministério da educação, juntamente com o Ministério da Saúde, fazer campanhas por meios digitais e promover palestras em ambientes escolares, de trabalho, e principalmente em regiões brasileiras mais necessitadas de doações, sobre a grande demanda de órgãos e tecidos hoje no Brasil. Assim, a fila de espera diminuirá e inúmeras vidas serão salvas.