Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 23/08/2021
O filme “A cinco passos de você” conta a história de jovens, acometidos pela doença Fibrose Cística, que aguardam por um transplante pulmonar, uma vez que essa se torna a única chance de cura para eles. Fora da ficção, essa é a realidade de muitos indivíduos brasileiros os quais esperam na fila de transplante de órgãos por anos e muitas vezes acabam por não resistir. Tal cenário se dá pelos impasses que dificultam a doação de órgãos no Brasil, tendo como exemplo a não autorização dos responsáveis ou a falta de informação sobre o assunto em questão.
Por conta do estigma associado a doação cria-se uma barreira ao abordá-la, sendo tratado como desnecessário ou ainda, em casos de doação após a morte é levado como circunstância longínqua e dispensável de ser comentada. Logo, em casos de desejo de ser um doador, na maioria das vezes, esse é desconhecido pela família. Assim, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, em média 42% das famílias que possuem a chance de autorizar a operação negam-na, agravando, cada vez mais, o delicado quadro em que o Brasil se encontra.
Além disso, o desconhecimento familiar dessa vontade leva-os à preocupação desnecessária com a imagem do falecido e desconfiança da seriedade da situação, já que não é de senso comum a extrema necessidade de inúmeros pacientes que dependem de uma doação. Ademais, a morte encefálica, a qual se torna possível realizar a intervenção, é difícil de ser vista como irreversível para os familiares e, consequentemente, esses não aceitarão a realização do processo que tem a capacidade de salvar vidas.
Portanto, medidas devem ser adotadas para combater as adversidades relacionadas à temática da doação de órgãos e cabe ao Ministério da Saúde, promover cursos que visam informar sobre como é realizado o procedimento, com a finalidade de desestigmatizá-lo tanto para os responsáveis da vítima quanto para o futuro doador. Ainda, palestras oportunizadas pelas escolas são imprescindíveis para alertar a todos sobre a importância da consciência acerca do propósito de doar órgãos para que, dessa maneira, não haja mais pessoas aflitas na fila de transplante como é retratado no filme “A cinco passos de você”.