Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 13/09/2021
Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) relatam que, por ano, cerca de 2 mil pessoas morrem à espera de um transplante de órgão no Brasil. Tal fato expõe um problema na sociedade brasileira, visto que o número de doadores é muito baixo para a demanda. Isso, porque falta informações sobre o assunto, como também, há falhas na infraestrutura que impede a universalização da doação de órgãos. Assim, o dilema presente no cenário brasileiro, em que a procura é superior à demanda, precisa ser desfeito e, para isso, é necessária a análise das causas e o que pode ser feito para a mudar essa realidade.
De início, tem-se a desinformação como empecilho para a resolução do problema. De acordo com pesquisadores da USP, mais de 40% das famílias negam a doação de órgãos em caso de morte encefálica por terem esperança de um retorno. No entanto, o Ministério da Saúde afirma que a morte encefálica é a perda completa e irreversível das funções cerebrais o que significa a morte de uma pessoa. Mas, a falta de esclarecimento sobre o assunto impata a cooperação de muitas famílias que poderiam autorizar a doação dos órgãos devido por causa de uma esperança nutrida pelos próprios médicos. Desse modo, é importante que mais informações sejam dadas sobre assunto para que a população saiba do que é preciso para salvar mais vidas.
Ademais, a deficiente infraestrutura também é um entrave para a disponibilidade de órgãos para transplante. Nesse sentido, a série “Sob Pressão”, série brasileira que se passa em um hospital público, traz uma abordagem sobre o transplante de órgãos a fim de falar sobre a importância dessas, e o procedimento é feito de imediato e de forma segura. Porém, segundo dados da ABTO, cerca de 50% dos órgãos potencialmente aptos para transplante são desperdiçados pela falta de preparo da equipe médica de muitos hospitais, armazenamento indevido e burocracias. Então, fora da ficção, a negligência estatal prevalece em meio ao dilema e por isso é preciso que o governo providencie melhoras ao sistema de saúde para que esse seja eficaz.
Diante disso, é importante que o Ministério da Saúde invista na divulgação de informações sobre a doação de órgãos por meio de comerciais informativos nas mídias sociais e televisivas, a fim de alcançar todos os públicos. Além disso, o Estado, garantidor dos direitos sociais, deve direcionar mais verba para que em todos os estados tenham hospitais com equipes especializadas e equipamentos necessários para transplantes de urgência. Desse modo, é esperado que o transplante de órgãos deixe de ser o tabu e torne uma escolha de todos, e, com a maior eficiência do sistema de saúde, todos serão atendidos, diminuindo, assim, a taxa de morte pela negligência estatal.