Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 09/10/2021

Durante a década de 60, o primeiro transplante de coração foi realizado no mundo, na África do Sul. Esse feito demonstrava, além da inovação, a possibilidade de salvar vidas por intermédio da doação de órgãos vitais. Todavia, apesar da euforia médica mundial, no Brasil a doação de órgãos encontra impasses, devido diversos mitos culturais sobre o precedimento e a falta de conversa entre os familiares. Logo, se torna preciso analisá-los.

Em primeiro lugar, vale ressaltar a prevalência do senso comum sobre a doação de órgãos. Geralmente, a comunidade se baseia em casos esporádicos e acaba por acreditar neles, o que, vinculado aos mitos sobre os transplantes acarreta aversão ao tema e falta de conhecimento adequado. Para reduzir essa cultura de desinformação, o Hospital Israelita Albert Einsten, referência do país, divulgou em seu site as perguntas mais frequentes sobre o procedimento e desmentiu mitos que estão enraizados na população, que vão desde custos à transfiguração do falecido.

Outro fator a ser mencionado é a ausência de diálogo. Em sua maioria, por se tratar se um assunto diretamente ligado à morte, muitos familiares não falam sobre ele e tal atitude dificulta o andamento da fila a espera de um órgão, visto que, grande parte das famílias se recusam a doar, quando cabe a elas concentirem. Conforme dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, em média, 47% das famílias de recusam a doar os órgãos dos seus parentes, o que corrobora para essa falta de conversa.

Torna-se evidente, portanto, que a doação de órgãos é uma evolução médica que precisa ser reconhecida popularmente.Sendo assim, o Ministério da Saúde, em parceria com médicos de referência na TV e internet, deve criar uma campanha nacional de doação de órgãos. Tal iniciativa será realizada por meio de propagandas, divulgação em hospitais públicos, enquetes em redes sociais e dados sobre o procedimento - seguro e confiável - no Brasil, a fim de fomentar a criticidade popular, a conversa no núcleo familiar e a empatia. Ademais, as escolas precisam abordar o tema em aulas interdisciplinares de ciência e matemática, por intermédio de debates sobre os números doadores, curiosidades e desmistificação da doação de órgãos, para que as próximas gerações sejam ativas ao tema.