Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 29/09/2021
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, há uma gradativa redução na doação de órgãos, ainda, em 2020, o índice de recusa de oferta ateve-se em 37,8%. Esses números demonstram os dilemas presentes na doação de órgãos no país, o qual possui como causa a ineficácia do Estado. Diante disso, é fundamental um planejamento governamental que se baseie, sobretudo, na educação continua tanto para a população, quanto para os profissionais da saúde.
Primeiramente, é notável a capacidade da abrangência do Sistema Único de Saúde (SUS). Este compreende desde o simples atendimento médico, até o transplante de órgãos, de forma universal e gratuito para toda a população. Contudo, a lista de espera para receber órgãos e tecidos cresce consideravelmente, mesmo com a implementação de campanhas, como o dia nacional da doação de órgãos (20 de setembro), criado para conscientizar a população a respeito do ato, não há a efetivação da proposta. Fica claro, então, que as ações governamentais não estão sendo suficiente ou abrangentes, ou seja, capazes de garantir o encontro entre doadores e receptores.
Ademais, nota-se, ainda, uma negligência do Estado em investimentos nessa área médica. Conforme o artigo 196 da Constituição federal de 1988, é dever do Estado garantir, mediante políticas sociais e econômicas, o acesso universal e igualitário aos serviços médicos. No entanto, para agir sobre esse problema coletivo é preciso investimento massivo no conhecimento e na informação do funcionamento e do processo de doação de órgãos. Pois, para o filósofo alemão Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre o processo, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do prolema.
Portanto, é relevante desenvolver ações, tanto políticas quanto sociais, que possam reverter essa realidade. Desse modo, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente com as mídias sociais (veículo midiático de maior alcance), investir, não só em campanhas de informação e divulgação do precedimento de doação de órgãos, com também em cursos de capacitação dos profissionais da saúde, por meio de feiras e encontros, em todo o território nacional, a fim de evitar dúvidas e impasses sobre o tema. Desta maneira, todos os brasileiros atuarão ativamente na mudança dessa realidade.