Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 07/10/2021

No Iluminismo, corrente filosófica do século XVIII, houve a difusão de um ideal de progresso da sociedade, por meio de uma colaboração mútua entre as pessoas. Todavia, no Brasil hodierno, de forma oposta ao movimento supracitado, o auxílio entre indivíduos não acontece, no que concerne à doação de órgãos, o que dificulta o avanço da nação, conforme a lógica iluminista. Dessa forma, a falta de infraestrutura dos hospitais e a escassez de divulgação e informação são fatores que colaboram para a problemática supramencionada, o que torna necessário a sua resolução.

Em primeira instância, é mister afirmar a não existência de uma estrutura adequada nas instituições hospitalares, uma vez que não há equipamentos de elevada qualidade para a conservação de órgãos e nem instrumentos e salas cirúrgicas para a realização de transplantes. Nesse contexto, segundo Isaac Newton, astrônomo inglês, em sua terceira lei da física, toda ação gera uma reação. Dessa maneira, o ato de inexistência de boa infraestrutura nos hospitais origina uma resposta de deficiência no processo de doação de órgãos, o que faz com que muitas pessoas que necessitam de partes corporais de outros indivíduos sejam prejudicados.

Outrossim, é válido ressaltar a falta de informações no que tange à doação de órgãos, uma vez que são poucas as notícias, na mídia, que retratem essa temática de maneira clara e tal problemática também não é muito abordada nas instituições de ensino. Nessa perspectiva, conforme o filósofo inglês, Immanuel Kant, o ser humano é resultado da educação recebida. Desse modo, o não recebimento de referências sobre os transplantes desencadeia, na população, uma ideia de que tal processo cirúrgico seja algo perigoso e não necessário, o que contribui para a continuidade do dilema da doação de órgãos, no âmbito nacional.

Destarte, torna-se essencial a tomada de medidas para a resolução do imbróglio citado anteriormente. Portanto, cabe ao Governo Federal, aliado ao Ministério da Educação, órgão encarregado das questões educacionais nacional, e à mídia, plataforma formadora de opiniões, promover uma maior quantidade de propagandas e notícias sobre as transplantes de órgãos e a importância da doação, além de elevar a discussão sobre o tema nas escolas, por intermédio de palestras com médicos cirurgiões e outros profissionais da saúde, a fim de elevar o conhecimento da população sobre o assunto e, por conseguinte, aumentar o número de processos cirúrgicos no país. Somente assim, o cenário contemporâneo será modificado.