Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 11/10/2021
No livro “A cinco passos de você” é retratado a história de jovens com fibrose cística-uma doença que acomete os pulmões- com isso os personagens esperam durante anos por um transplante, a fim de possuírem uma nova possibilidade de vida. Fora da obra literária, no entanto, a importância da doação de órgãos não fica restrita a ficção,sendo estendida para a realidade.Conquanto, o pouco conhecimento da população sobre esse gesto de solidariedade, bem como a insuficiência da infraestrutura dos centros públicos de saúde dificultam a propagação dessa importante ação no território brasileiro.
Em primeira análise,é indubitável que a desinformação do corpo social esteja entre um dos fatores que dificultam a doação.Nessa perspectiva,cabe destacar que para Franz Kafka a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana.Seguindo o pensamento do intelectual é notório que tal gesto de empatia e amparo não são plenamente reverberados na contemporaneidade ,pois a falta de conhecimento sobre como doar os órgãos,quanto tempo após o óbito é permitido o transplante e o que é morte encefálica impedem que haja uma maior expansão desse gesto no território tupiniquim. Isso, por sua vez,é preocupante, pois mesmo com o aumento de doadores nos últimos anos,esses ainda são insuficiente para atender as listas, permitindo que haja uma longa espera para os que necessitam do transplante, tal como vivenciado pelos adolescentes do livro.
Em segunda análise, cabe considerar o pouco investimento governamental nas estruturas hospitalares e no transporte como responsáveis por dificultar esse gesto de solidariedade.Nessa perspectiva, segundo Gilberto Dimenstein, jornalista brasileiro,em sua obra “Cidadão de papel”, embora as leis sejam garantidas na teoria, na prática elas não ocorrem, já que são subtraídas pelo Estado.Sob esse viés, mesmo que a Constituição Federal de 1988 assegure vida e saúde como um direitos imprescindíveis a todos os cidadãos,percebe-se que tal prerrogativa é falha,pois a falta de infraestrutura hospitalar pública,como também a pouca disponibilidade de transportes eficientes,como o modal aéreo, inviabilizam a eficiência dos processos de doação.Assim, com cerca de 96% dos transplantes feitos pelo SUS, fica claro a necessidade que esses procedimentos gratutitos tenham uma melhor qualidade.
Destarte, medidas são necessárias para a resolução do impasse. Logo, cabe ao Ministério da Cidadania realizar mais campanhas publicitárias-que busquem informar a população sobre a importância e como realizar a doação- por meio de anúncios, que podem ser veiculados nas mídias televisivas, a fim de garantir a conscientização dos indivíduos. Outrossim,cabe ao Governo Federal garantir um investimento mais oneroso para os hospitais públicos.Como efeito social, haverá cidadãos que prezam pela solidariedade, permitindo que casos de longa espera por doação permaneçam apenas na ficção.