Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 11/10/2021
Sobre Peixes, Pássáros e Irmãos
O conservadorismo é fruto histórico de um cenário repleto de tabus e, ainda hoje, repercute em muitos dilemas sociais. Nesse sentido, a doação de órgãos no Brasil é uma dessas problemáticas, e tem tido respostas negativas das famílias que tem seus entes queridos falecidos. Além disso, convenções sociais e a má informação acerca dos procedimentos que envolvem a doação estão entre os principais motivos para a baixa adesão.
Em primeiro lugar, entender a doação de órgãos como procedimento regulamentado pela justiça e seguidor dos princípios bioéticos é fundamental para tranquilizar as famílias que acham que seus entes queridos serão “mutilados”. Assim, a carência de informações nessa perspectiva contribui para os achismos sociais e compreensões equivocadas acerca de um procedimento seguro e que pode salvar inúmeras vidas.
Ademais, a Constituição Nacional garante ao cidadão brasileiro o direito à vida com dignidade, sendo a saúde um princípio básico. Assim, atualmente a quantidade de pessoas na saúde pública ou nos sistemas privados a espera de um transplante, evidencia que a linha tênue entre vida e morte depende, hoje, mais da consciência da população do que da burocracia estatal e das ferramentas em saúde.
As ações acerca do incentivo à doação de órgãos no Brasil devem, portanto, permear sobretudo o âmbito educativo. Despertar no cidadão, que talvez seu ente querido possa estar em gesto dando vida a outra pessoa em condições de recebê-la é fundamental. Além disso, esclarecer acerca dos procedimentos e a ética envolvida também são necessários. Isso pode ser feito por meio de campanhas publicitárias com auxílio dos Meios de Comunicação e o Ministério da Saúde. Somente assim, terá-se uma sociedade que preza pelo cuidado e caridade, conforme pensou o ativista da causa racial Martim Luther King ao pedir que os homens além de aspirarem nadar como peixes e voar como pássaros, desejem viver como irmãos.