Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 20/10/2021

A mumificação foi uma técnica desenvolvida no Egito Antigo, através da remoção dos órgãos era possível diminuir a decomposição e preservar o cadáver. Nos dias atuais, a medicina avançou consideravelmente, sendo possível transplantar órgãos e salvar vidas através desse processo. No entanto, a falta de conhecimento sobre a morte encefálica têm sido um obstáculo para a transplantação na sociedade brasileira, além disso, a cultura individualista que se espalha na contemporaneidade também dificulta a realização dessas cirurgias.

Nesse contexto, é necessário destacar que a falta de informação sobre danos irreversíveis ao cérebro têm dificultado realizar operações de transplante no Brasil. Nesse sentido, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos informa que a dificuldade de compreensão referente à morte encefálica é um dos principais fatores que contribuem para que a família se recuse a doar partes do falecido. Desse modo, os parentes se recusam a ceder os órgãos por acreditarem que a morte cerebral é um estado reversível, e que podem estar matando o paciente ao consentir com o procedimento. Logo, é necessário tomar medidas para divulgar dados sobre esse estado de óbito, para que seja possível conscientizar os familiares e aumentar o número de doações.

Em segundo lugar, é importante ressaltar o impacto negativo da cultura individualista na realização de cirurgias de substituição de órgãos. Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo e filósofo polonês, vivemos em um tempo de relações frágeis, em que nada é durável, isso faz com que a indiferença ao próximo se torne algo habitual e socialmente aceito. Por consequência dessa sociedade líquida, a falta de empatia acaba sendo estabelecida como senso comum, o que acaba gerando uma barreira que diminui o número de doadores e impede que indivíduos sejam salvos. Dessa forma, é fundamental promover uma mudança comportamental na coletividade, buscando tornar a preocupação com o outro algo primordial.

Portanto, é indispensável tomar providências que promovam o número de doadores. Para isso, o Ministério da Saúde, órgão responsável pela administração e manutenção da saúde no país, deve fazer campanhas para esclarecer para a população o que é a morte encefálica, por meio de propagandas nos veículos de imprensa tradicionais e na internet, com o intuito de aumentar o número de doações. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação atualize a grade de disciplinas escolares, adicionando matérias que encorajem a empatia, buscando implementar um ensino mais humanizado e desenvolver um cidadão mais preocupado com os seus semelhantes.