Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 18/10/2021
No documentário ´´ Anjos da vida: Em busca da doação de órgãos``, é exposto a perspectiva da equipe médica, da família do falecido e do transplantado sobre a doação de órgãos. Embora cada pessoa dessa obra tenha uma visão de vida diferente, todas elas concordaram que o processo de captação de órgãos ainda é muito emblemático no Brasil. Por isso, é essencial analisar o papel negativo das mídias e falta de empatia no âmbito hospitalar como principais problemas dessa questão.
A princípio, as ´´fakes news propagadas nas mídias sociais impactam negativamente a captação de órgãos. De acordo com o pensador Pierre Bourdieu, atualmente a sociedade vive em uma democracia que é indissociável da internet. Consoante ao autor, nota-se que assim como a democracia, a cidadania - garantida através dos atos democráticos - também sofre interferência dessa esfera virtual. Nesse sentido, percebe-se que a propagação de falsas notícias sobre a doação de órgãos prejudica o exercício cívico do brasileiro. Isso é perceptível, por exemplo, no fato de pessoas não se tornarem doadores por acreditarem em ´´fake news, como a de que os órgãos serão roubados em procedimentos cirúrgicos rotineiros. Logo, vê-se que é essencial democratizar informações confiáveis sobre essa temática.
Ademais, a falta de empatia na relação da equipe hospitalar com o paciente é outro problema. A esse respeito, o sociólogo Jurgen Habermas afirma que o mundo está sendo colonizado pela razão instrumental, a qual busca pela máxima eficiência em detrimento do bem-estar social. Nessa lógica, observa-se que a interação dos profissionais da saúde com as família dos pacientes visa, em primeira instância, a autorização para a retirada dos órgãos - ou seja, uma relação que se sustenta pelo interesse e apatia de uma das partes. No entanto, quando a equipe possui empatia pelos familiares que perderam um ente em sua interação, as chances deles assinarem a permissão é maior. Um exemplo disso é que no documentário supracitado uma moça só doou os órgãos de seu falecido filho por causa do acolhimento sensível e orientador da enfermeira. Desse modo, infere-se que o corpo médico precisa aprender a acolher e orientar os familiares.
Dessa maneira, os obstáculos que impedem a doação de órgãos precisam ser combatidos. A fim disso, o Ministério da Saúde, junto ao governo, deve naturalizar esse nobre ato entre os cidadãos brasileiros. Isso deve ser feito, por meio de campanhas, divulgadas nas mídias sociais, que informem dados verídicos sobre a doação, como, por exemplo, as condições legais para se tornar um doador. Além disso, deve-se disponibilizar gratuitamente um curso que ensine como abordar os familiares no momento do luto à equipe de captação de órgãos. Posto isso, espera-se combater as falsas notícias e garantir uma interação empática no ambiente hospitalar.