Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 25/10/2021

A “Atitude Blasé” – termo proposto pelo sociólogo alemão Georg Simmel no livro “The Metropolis and Mental Life” – ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que ele deveria dar atenção. Observando o comportamento de passividade da sociedade contemporânea brasileira, é inegável a importância de abordar os atuais desafios da doação de órgãos no Brasil. Nesse segmento, pode-se alegar que a negligência governamental com o sistema de saúde e a falta de conhecimento da população sobre doação de órgãos agravam essa situação.

Convém ressaltar, primordialmente, a ausência de medidas governamentais para combater a precariedade do sistema público de saúde, sobretudo no processo de doação de órgãos, onde, de acordo com o Ministério da Saúde, 96% dos transplantes de órgãos são feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Constantemente, devido à falta de infraestrutura necessária para os transplantes tanto nos hospitais, como também a falta de profissionais especializados, o procedimento acaba não sendo feito, deixando milhares de pacientes na fila de espera. Esse cenário, segundo as ideias do geógrafo Milton Santos no texto “As cidadanias mutiladas”, caracteriza-se como uma violação dos direitos do ser humano, uma vez que, segundo ele, “A democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, só é efetiva na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos”. Porém o Estado não cumpre sua função na aplicação de investimentos destinados à saúde de forma adequada, tornando o sistema precário, o que infelizmente é explícito no país.

Ademais, é primordial evidenciar a falta informação da população sobre doação de órgãos como propulsora do dilema no Brasil. Essa falta de conhecimento gera uma série de barreiras, tanto na hora de decidir previamente se será um doador, como também em horas difíceis, quando um familiar vêm a óbito e surge o questionamento de doar ou não, porém a família muitas vezes opta por não doar, por não saber como funciona o processo.

Em virtude dos fatos mencionados, é crucial que todos os segmentos sociais unam-se em prol do combate dos dilemas da doação de órgãos no Brasil. Assim, cabe ao governo efetivar e fiscalizar de maneira mais plena os investimentos destinados à saúde, com o intuito de desenvolver todo o sistema público de saúde. Além disso, é de suma importância que veículos de mídia divulguem propagandas e campanhas através da internet, rádio e televisão, com o objetivo de conscientizar e informar a população sobre a doação de órgãos. Dessa forma, é possível reverter a “Atitude Blasé” no Brasil, consolidando uma sociedade consciente e solidária.