Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 28/10/2021
Na série round 6, um grupo de pessoas participa de um jogo de sobrevivência, no qual os perdedores mortos têm seus órgãos retirados e vendidos. Fora da ficção, no contexto atual brasileiro, também há um lucrativo e ilegal mercado de órgãos devido aos baixos números de doadores. Esse problema, cuja causa se relaciona com a falta de diálogo familiar sobre o desejo individual de doar os órgãos, gera consequências negativas como a longa espera dos que precisam na fila de transplante.
Deve-se destacar, inicialmente, que a manutenção dessa problemática é decorrente da ausência de conversas entre os familiares sobre o interesse pessoal de doar suas partes humanas após o falecimento. Isso acontece, porque não só existe um tabu na sociedade brasileira de se falar sobre a morte, mas também devido ao pequeno número de informações claras sobre a doação de órgãos. Com isso, o Brasil, infelizmente, tem tido anualmente baixas no números de doadores, segundo a Associação brasileira de transplante de órgãos, apenas no ano de 2020 a queda foi de 13%, em paralelo a fila de transplante chegou a mais de 50 mil pessoas aguardando. Dessa forma, são imprescindíveis ações educativas que alterem esse panorama.
Por conseguinte, nota-se o aumento no tempo de espera dos que precisam de algum transplante no Brasil. Esse cenário é tão sério que a medicina já busca por outras alternativas, como os xenotransplantes, nos quais são retirados órgãos de outras espécies para serem transplantados em humanos. No entanto, esses procedimentos ainda estão em fase inicial de estudo e são caros para serem replicados em grande escala, por isso é essencial que os cidadãos tenham empatia uns pelos outros, e diminuam o sofrimento dos que necessitam se tornando um doador. Assim, são fundamentais como campanhas que levem a essa mudança de comportamento dos indivíduos.
Logo, é essencial elevar o número de doadores de órgãos no Brasil. Para isso, cabe aos Ministérios da Saúde e Educação implantarem na sociedade a discussão sobre o assunto, mediante propagandas nos meios de comunicação e palestras nas escolas sobre como ocorre o processo de transplante e a importância dessa prática. Essas campanhas também devem ter a participação de especialistas, linguagem simplificada e atingir cidadãos de todas as regiões do país, com o intuito de que essa discussão se expanda para vários lares e aumente a adesão de doadores no Brasil, para que não seja mais necessário esperar pelos avanços da ciência para diminuir a fila de espera por um transplante. Com essas medidas, menos órgãos serão roubados em jogos misteriosos, como na ficção sul coreana.