Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 05/11/2021

A doação de órgãos se caracteriza como a remoção do órgão de um indivíduo, na maioria dos casos falecido, com o propósito de transplantá-lo em outro, a fim de reestabelecer a saúde e de prolongar a vida de uma pessoa. Ademais, segundo dados do Hospital Israelita Albert Einstein, há em torno de 35 mil brasileiros que aguardam por transplantes, muitas desses esperam por toda a vida. Essa conjuntura tem como fomento a má formação socioeducacional, dos familiares de possíveis doadores, e a carência de políticas governamentais.

A priori, é válido ressaltar que, quando um indivíduo vai a óbito, e é um candidato para ser doador de órgãos, a família precisa autorizar essa doação. No entanto, consoante ao Ministério da Saúde, cerca de 42% das famílias não autorizam essa prática, por receio de haver modificações corporais, por motivos religiosos, e, principalmente, por falta de informação. Todavia, a doação de órgãos é um procedimento seguro, realizado apenas em pessoas que apresentam morte encefálica, não deforma o corpo do indivíduo falecido e, sobretudo, é capaz de salvar vidas. Diante disso, é notória a importância do incentivo à doação de órgãos e de medidas socioeducacionais que, de fato, informem à sociedade a respeito dos benefícios desse ato.

Outrossim, é imperioso destacar que a falta de políticas públicas corrobora esse cenário. As cirurgias de transplantes de órgãos requerem hospitais com centros cirúrgicos especializados. Contudo,  não são todos os hospitais que são capacitados para realizarem essas cirurgias, e, além disso, esses hospitais estão concentrados, majoritariamente, nas regiões sul e sudeste. Ademais, em algumas situações, o órgão transplantado precisa ser deslocado de um estado para o outro e requer de transportes fornecidos pelo governo. Entretanto, segundo a Sociedade Brasileira de Medicina, em 2016 um transplante de coração infantil deixou de acontecer por falta de transporte da força Aérea Brasileira. Logo, é nítida a negligência estatal.

Em suma, é evidente a importância da doação de órgãos e são necessárias medidas que incentivem esse ato. Assim, o Ministério da Cidadania, por meio de verbas oriundas do Tesouro Nacional, e em parceria com o Ministério da Educação, devem criar campanhas publicitárias educacionais, ministradas por profissionais da saúde, divulgadas em redes sociais e propagandas de TV, que expliquem a importância da doação de órgãos, a fim de que mais famílias aprovem a doação. À vista disso, o Brasil contribuirá com o incentivo à doação de órgãos.