Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 06/11/2021

A doação de órgãos tem como finalidade reestabelecer a saúde e de prolongar a vida de uma pessoa. Ela se caracteriza como a remoção do órgão de um indivíduo, na maioria dos casos de pessoas falecidas, com o propósito de transplantá-lo em outra. No entanto, segundo dados do Hospital Israelita Albert Einstein, há em torno de 35 mil pessoas que aguardam por transplantes e muitas dessas esperam por toda a vida. Essa conjuntura tem como fomento o acesso insuficiente à formação socioeducacional dos familiares de possíveis doadores e a falta de políticas governamentais.

Nesse contexto, é válido ressaltar que, quando um indivíduo vai a óbito, e é um possível doador, a família precisa autorizar essa doação. No entanto, consoante ao Ministério da Saúde, cerca de 42% das famílias não autorizam essa prática, por receio de haver modificações corporais, motivos religiosos, e, principalmente, por parcial inconsciência. Todavia, a doação de órgãos é um procedimento seguro, realizado apenas em pessoas que tiverem a morte encefálica comprovada, não deforma o corpo do indivíduo e , sobretudo, é capaz de salvar vidas. Diante disso, é notória as consequências relacionadas a desinformação.

Além disso, não são todos os hospitais com centros cirúrgicos especializado e a maioria desses estão concentrados, majoritariamente, nas regiões sul e sudeste. Ademais, em algumas situações, o órgão transplantado precisa ser deslocado de um estado para o outro e requer de transportes fornecidos pelo governo. Contudo, de acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina, em 2016, um transplante de coração infantil deixou de acontecer por falta de transporte da força Aérea Brasileira. Nesse sentindo, tal situação contraria o Pacto Social, do contratualista Jonh Rawls, que infere que é dever do Estado garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos, como saúde e bem-estar, haja vista que o Estado rompe com esse contrato ao negligenciar as condições necessárias para a realização dos transplantes.

Em suma, é evidente a importância da doação de órgãos e são necessárias medidas que incentivem esse ato. Assim, o Ministério da Cidadania, por meio de verbas oriundas do Tesouro Nacional, e em parceria com o Ministério da Educação, devem criar campanhas publicitárias educativas, ministradas por profissionais da saúde, propagandas de TV e redes sociais, que expliquem a importância da doação de órgãos, a fim de que mais famílias aprovem a doação. À vista disso, o Brasil contribuirá com o aumento da doação de órgãos no país.