Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 19/11/2021

Em 2013, a mídia brasileira horrorizou-se com a notícia que o multimilionário Chiquinho Scarpa enterraria seu Bentley, carro avaliado em mais de 2 milhões de reais. Após o choque, o empresário veio a público para informar que tal evento nada mais era que uma campanha de incentivo à doações de órgãos. Nessa pesperctiva, o debate acerca dos dilemas da doação de órgãos se faz necessário, dado que tal tema ainda possui dificuldades como, por exemplo, a falta de esclarecimentos entre médicos e a família, além do número de doações ser incompatível com a longa espera na fila de orgãos.

Primordialmente, é relevante destacar, a escassez de informações complementada com um discurso pouco sensível com os familiares, já que são eles que tem a escolha final sobre o destino daqueles. O amargo cenário de um parente com morte encefálica, desprepara aqueles para uma possível conversa sobre a doação dos tecidos, a qual deve ser, ainda que empática, firme e objetiva, assegurando o quadro irreversível. A partir desse momento, a comunicação é essencial, pois é ela que mostra que o rompimento de um vínculo, com o morto, pode gerar a construção de novas conexões, com os possíveis pacientes transplantados.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a assimetria entre o número de doadores efetivos, que embora tenha aumentado mais de 166% entre 2003 e 2013, ainda está longe de alcançar o expressivo número de 186 mil pessoas, as quais, segundo a ABTO, precisam de transplantes de orgãos sólidos, como rins e pulmão e de tecidos, tal qual as córneas. Para tentar aplacar o vertiginoso aumento dos casos, a biotecnologia tem trabalhado, ambiciosamente, em conjunto com a engenharia de tecidos para a fabricação de orgãos em 3D, a qual possibilitaria, acelerar a fila dos transplantes e que em teoria, eliminaria a chance de rejeição do orgão, pois esse seria feito com as células da pessoa que receberia. Contudo, tal horizonte ainda é impalpável, devido à entraves como falta de financiamentos e incentivos.

Urge, portanto, medidas afim de sanar os impasses da doação de orgãos. Para isso, compete a OMS em parceria com grandes veículos mídiaticos, a produção de vídeos de reencontro entre familares dos doadores e os transplantados com o objetivo de incentivar a doação de orgãos, além de mostrar a importância da conversa entre família do porquê é necessário doar. Ademais, a ONU em  conjunto com governo dos países detentores da biotecnologia, devem trabalhar juntos para o envio de verbas com a finalidade de estimular o processo da geração 3D, para que, por fim, as milhares de pessoas possam receber seus orgãos e uma nova chance de viver.