Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 18/11/2021
Individualismo, descaso governamental. Esses exemplos ilustram a atual situação acerca do dilema da doação de orgãos. Logo, alternativas para sanar essa problemática é imprescindível para a plena harmonia social.
É mister salientar - em primeiro plano - o egocentrismo enraizado na sociedade como fator contribuinte para a polêmica em questão. Nesse sentindo, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, ‘‘o ser humano líquido possui laços fragmentados e não se importa mais com o que ocorre à sua volta.’’ Dessa forma, o individualismo faz com que a maioria das pessoas não se importem, não debatem e nem se mobilizem com a efetiva doação de orgãos. Ademais, a propagação de fake news alinham pensamentos errôneos à respeito desse assunto. É evidente a propagação de mitos acerca da doação de orgãos, levando às pessoas acreditarem que uma vez realizado o transplante de orgãos, ficará impossibilitada a realização do funeral de seu ente querido. Isso ,infelizmente, é ocasionado pela falta de informações sobre esse problema, e até mesmo interesse pelo que acontece com a sociedade.
Em segundo plano, válido ressaltar o descaso governamental como fator determinante para os dilemas da doação de orgãos. De acordo com o artigo 6º da Constituição Federal de 1988, o poder público deve garantir ao cidadão o direito à saúde e a dignidade da pessoa humana. Percebe-se então que a realidade vai de encontro com o ato constitucional, uma vez que a população carente têm seus direitos assegurados apenas nos papéis, e não são exercidos de maneiras eficazes. Desse modo, a situação se torna alarmante, devido à ausência de campanhas informativas que instruam à população acerca da importância de se doar orgãos - ato essencial para salvar vidas -.
Com base nos argumentos supracitados, fazem-se necessárias medidas que alterem a atual situação do Brasil. Cabe ao Governo Federal - agente principal mantenedor dos direitos mínimos - criar campanhas informativas por meio de rádios, programas televisivos em horário nobre, panfletagem e até mesmo através das plataformas de ‘‘streamings’’ - como o Instagram e Youtube por exemplo-, com intuito de promover debates e gerar canais informativos à população. Portanto, atenuar-se-á médio e longo prazo, os dilemas para a doação de orgãos, fazendo valer os direitos constitucionais.