Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 19/11/2021
É notória a necessidade de ir ao encontro com a questão da doação de órgãos. Essa controvérsia tona-se mais relevante quando se expõe a importância desse processo para o sistema de saúde pública no Brasil. Com o advento da Constituição de 1988, o artigo 6º foi implementado para garantir o direito à saúde e ao bem-estar a todos os cidadãos. No entanto, enfrentar a falta de informação e preparar os profissionais da área são desafios ao Governo e à sociedade para a plena promoção do “bem-coletivo”, termo que foi proposto pelo sociólogo Rousseau.
A priori, essa problemática de questão educacional remonta ao desconhecimento sobre os processos que levam uma pessoa a ser apta a doar. Desse modo, no momento em que pode ocorrer uma possível doação à maioria das famílias – que estão começando a passar pelo momento de luto – não entende como funciona a morte encefálica e acaba recusando a doação. Tal problemática pode ser ratificada nos números divulgados pelo Ministério da Saúde (ME), nos quais, aproximadamente 40 mil pessoas estão nas filas esperando uma oportunidade de realizar o transplante. Sendo assim, esse aumento na lista de espera se dá ao fato de o doador ainda ter sinais vitais e a família acreditar que ainda há chances, mesmo sendo comprovada ausência de atividade cerebral.
Somado a isso, a falha de comunicação entre o médico e a família de pacientes com morte encefálica pode acarretar a mais negativas de doadores. Dessa forma, é preciso ter uma equipe preparada para poder realizar as questões burocráticas o mais rápido possível. Tal fato pode ser exemplificado em uma matéria emitida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) sobre os dados coletados em situações de possíveis doações. Nesse episódio, a universidade afirmou que há um despreparo das equipes assistencialistas para comunicar a morte. Diante de tal discussão, é preciso preparar todos os profissionais que fazem parte dessa operação para que tudo ocorra dentro do prazo estimado.
Torna-se evidente, portanto, que a questão da doação de órgãos exige medidas concretas. É imperiosa, nesse sentido, uma postura ativa do Ministério da Saúde – que é o principal provedor dos direitos da saúde - em relação à ampliação da conscientização sobre os processos da doação, por meio de projetos publicitários informativos. Porém, uma transformação completa desse passar pelas universidades, que em conjunto ao MS deve promover cursos capacitadores para todos os estudantes e profissionais da saúde, para que fique clara a necessidade de estabelecer uma boa comunicação no momento da proposta de doação. Isso seria viável se esses cursos estiverem como conteúdo a exemplificação de situações reais, para que as futuras gerações sejam mais conscientes.