Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 26/11/2021

No limiar do século XVIII, o Iluminismo pregava que uma sociedade só progride quando seus cidadãos mobilizam-se para resolver o problema de outras parcelas do corpo social, de maneira análoga a isso a doação de órgãos e tecidos. Indo contra esse ideário, destacam-se dois aspectos importantes: a recusa das famílias à doação e a ineficácia estatal em comedir esse revés nacional.

Em primeira análise, evidencia-se o grande número de famílias que se opõem a doarem órgãos de algum parente que tem morte cerebral, em sua maioria, pela falta de aceitação dos familiares aos parentes recém-mortos. Sob essa ótica, segundo a ABTO em 2006, 40 mil pessoas estiveram na lista de espera, enquanto segundo a contagem de 2006, 1.500 familiares se negaram a doação. Dessa forma, o ato de recusa a praticar essa nobre atitude é pura ignorância humana.

Além disso, é notório que a carência de políticas públicas mais eficazes para mitigar a quantidade insuficiente de transplantes fere a constituição federal que há 31 anos prometia uma nação com viés de bem-estar social. Desse modo, segundo o filósofo Sócrates, “os erros são consequências da ignorância humana”. Consoante a isso, o Estado não criou mecanismos eficientes para conter tal conjuntura nacional, como na modernização do sistema de captação de órgãos, expondo aqueles que buscam por um transplante ao risco de não conseguir por falta de doador ou centro médico.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham ampliar a lista de doação de órgãos e tecidos. Dessa maneira cabe ao SUS e ao Ministério da Saúde e Estados, fazer por meio da resolução que gera aplicabilidade imediata, modernizando, ampliando e melhorando o sistema nacional de transplantes, com a criação de centros de referência e veiculação de campanhas, afim de a fila de espera seja reduzida. Somente assim, podemos alcançar a socidade que o Iluminismo pregava.