Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 08/01/2022
O primeiro transplante de órgãos bem sucedido no mundo ocorreu em 1954. Não há dúvidas, que esse fato histórico, conseguiu contribuir com a salvação de inúmeras vidas com a modernização da medicina. No entanto, há insuficiência de pessoas aptas para doação de órgãos no Brasil. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, que emerge devido ao preconceito social e cultural e a falta de comunicação do doador com a família.
Dessa forma, em primeira análise, o preconceito social e cultural é um desafio presente para quem necessita de um órgão. Para Bauman, os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica cultural do mercado na sociedade. Tal constatação é nítida no dilema de doações de órgãos, visto que, socialmente, algumas culturas e religiões são contra. Assim, inverter a lógica e colocar os valores humanos em primeiro lugar é urgente.
Em paralelo, a falta de comunicação do doador com a família é um entrave no que tange ao transplante de órgãos. Djalma Ribeiro explica que é preciso tirar uma situação de invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Porém, há um silenciamento instaurado no dilema de doação de órgãos, visto que, muitas pessoas esquecem de manifestar o interesse em doar órgãos para seus familiares antes de falecer. Assim urge uma situação de invisibilidade, para atuar sobre ela, como defende a pensadora.
Portanto, é indispensável intervir sobre a dificuldade na doação de órgãos. Para isso, o Poder Público, deve investir no transplante de órgãos, por meio da destinação de verbas, a fim de reverter a supremacia cultural que impera. Tal ação pode, ainda, ser divulgada na mídia da massa, para que a população tome conhecimento. Paralelamente, é preciso intervir sobre o preconceito social e cultural presente na doação de orgãos.