Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 26/02/2022
Uma questão de diálogo
Com a lei número 9434 de 1997, a qual permitiu a remoção de órgãos, o Brasil fica em segundo lugar como maior transplantador no ranking mundial. Entretanto, no que tange à doação de órgãos, ainda há, no país, baixa quantidade de doadores em paralelo ao grande número de pessoas na fila. Esse problema deve-se a alguns fatores como a rejeição das famílias e o despreparo do médicos.
Segundo dados divulgados pela ABTO - Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos - a taxa de recusa das famílias em fazer a doação é de 43% no Brasil, enquanto a média mundial é de 25%. Essa rejeição dos familiares ocorre por vários motivos, sobretudo, pela falta de conhecimento a respeito da vontade do possível doador. Embora, tramite no Senado Federal um projeto de lei para permitir a doação por manifestação própria da vontade, feito ainda em vida e sob acompanhamento de testemunhas, ainda não há nenhum documento que possa ser deixado em vida para garantir que a doação ocorra após a morte.
Além disso, deve-se ressaltar o despreparo dos médicos para comunicar a morte do paciente aos familiares. Nessa perspectiva, o psiquiatra Carl Jung dizia: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”. Em vista disso, o diálogo humanizado faz-se extremamente necessário no intuito de ajudar a família a decidir-se pela doação de órgãos. Especialmente em quadro graves, tal diálogo previamente realizado auxilia em uma tomada de decisão ágil caso o paciente faleça. Essa postura é essencial para o sucesso da doação devido ao baixo tempo de isquemia de cada órgão.
Com isso, verifica-se a urgência da conscientização dos indivíduos acerca da doação de órgãos. Medidas como o diálogo com os familiares, deixando claro o desejo de doar órgãos ao falecer; a capacitação de profissionais da saúde por meio de cursos oferecidos pelo Ministério da Educação; bem como uma maior diulgação da campanha setembro verde que visa a promover a consciência sobre a doação de órgãos, podem indubitavelmente salvar muitas vidas.