Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 09/02/2022

O Brasil ocupa o segundo lugar entre os países transplantadores de órgãos no mundo, de acordo com o Sistema Nacional de Transplantes ( SNT ). Contudo, o país ainda enfrenta um dilema relacionado às doações, uma vez que ainda apresenta cerca de 34 mil brasileiros que aguardam por um transplante, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos ( ABTO ). Nesse sentido, faz-se necessária uma análise acerca das causas desse revés, dentre as quais se destaca o baixo número de doadores efetivos.

Diante desse cenário, é importante apontar que ainda há uma elevada desproporcionalidade entre o número de doadores efetivos e o de pacientes nas filas de espera. Isso se dá, porque muitas famílias, por motivos pessoais ou religiosos, não permitem a doação dos órgãos do ente querido. Esse fato se comprova ao analisar os dados do Registro Brasileiro de Transplantes ( RBT ) em 2016, que mostram que, das 4490 notificações de possíveis doadores que resultaram em entrevistas com os familiares, em quase 50% delas a doação não foi autorizada.

Por conseguinte, a quantidade de doadores no país mostra-se insuficiente para atender à demanda da população e, por esse motivo, muitos pacientes morrem nas filas de espera pelo transplante. Segundo o Relatório semestral da ABTO no primeiro semestre de 2018, cerca de 1286 pessoas morreram aguardando pela cirurgia. Logo é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, faz-se necessária a criação de medidas capazes de mudar essa realidade. Dessarte, o Ministério da Saúde deve, através de cursos de capacitação, qualificar os médicos e enfermeiros para identificar possíveis novos doadores e para abordar as famílias deles de forma mais eficiente e delicada de modo a convencê-las a permitir a retirada dos órgãos. Paralelamente, o Estado deve oferecer benefícios aos familiares do doador, como a isenção do pagamento de algumas taxas e despesas com o funeral, como ocorre no muinicípio de São Paulo. Desse modo, espera-se que o número de doações no Brasil aumente e as filas de espera por transplante diminuam.