Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 04/03/2022

Há pouco mais de 200 anos atrás, os donos do capital podiam executar um escravo sem nenhuma consequência. Hoje, sob a máscara de doação de órgãos, muitos abastados utilizam seu poder financeiro para compelir pessoas a dispor de seus órgãos mesmo se isso significar um risco à saúde das mesmas. Por certo que a dignidade humana deveria vir em primeiro lugar, portanto, permitir esse comércio é inaceitável para o modelo de sociedade que deseja-se construir.

Em primeiro lugar, o comércio de órgãos é proibido no Brasil e na maioria dos países do mundo. No entanto, segundo dados do Ministério Público Federal, transplantes ilegais acontecem em diversos lugares, dos quais países em desenvolvimento como o Brasil, a Rússia e a China normalmente vendem esses órgãos e os países desenvolvidos são os que os compram. A partir dessa informação, torna-se claro que há uma predileção dos ricos, em escala global, a passarem por cima da dignidade humana em virtude de interesses particulares.

No Brasil, a doação de órgãos é permitida, porém, há muitos casos em que a doação parece legítima, mas há uma subsequente compensação financeira por parte do recebedor ao doador. Mesmo que deva-se reconhecer que quem compra usualmente o faz por extrema necessidade, esse argumento não deveria isentar o crime, assim como um argumento similar não isenta outras práticas criminosas.

Em suma, doações de órgãos precisam ser rigorosamente fiscalizadas para que não se tornem transações financeiras. Para isso, a polícia civil deveria investigar, por meio das bases de dados policiais, todas as doações que sejam feitas para pessoas fora do seio familiar. Nesse sentido, deve-se procurar diferenças na riqueza entre o doador e o recebedor, aumentando o alerta quando essa diferença for pronunciada. Dessa forma, será possível identificar e punir um maior número de tráfico ilegal de órgãos inibindo essa prática.