Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 09/04/2022
Desde o ano de 1997, o Brasil dispõe de uma política de transplante de órgãos que regulamentou a prática em todo o território nacional. Com o passar dos anos, o número de doadores aumentou, mas de maneira insuficiente, visto que o dilema da doação de órgãos converteu-se em um grande desafio. Neste viés, torna-se lícito considerar a negativa familiar e a precariedade do sistema de saúde brasileiro.
No primeiro momento, vale destacar a recusa de parentes próximos com a concessão das estruturas corporais do falecido. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, mais de 43% dos pacientes com morte encefálica não puderam contribuir com a fila de transplante, uma vez que seus familiares recusaram a doação de seus órgãos. Esta situação demonstra um dos impasses da estrutura atual, dado que muitas vezes a família vai de encontro a vontade do doador e prejudica o bem-estar de muitos futuros receptores.
Outrossim, é urgente salientar a debilidade dos serviços de saúde na terra verde e amarela. A série “Sob pressão” demonstra os problemas enfrentados pela equipe de emergência em um hospital público tupiniquim e com isso a sua fragilidade. Isto posto, para a retirada correta dos elementos corpóreos, assim como a confirmação da morte encefálica, faz-se necessária a presença de um médico especialista ou com capacitação específica. Assim como mostrado no seriado, a realidade brasileira é de uma deficiência de profissionais especializados nos hospitais, especialmente da rede pública, o que exprime outra dificuldade do tema abordado.
Portanto, com o propósito de encontrar caminhos para contornar a situação dos dilemas da doação de órgãos, é imperativo que sociedade e Estado atuem em sinergia. Este, através do Ministério da Saúde, deve arquitetar uma plataforma virtual de doação de órgãos, em que o usuário possa se cadastrar em vida e expressar o seu desejo de doar, sem a necessidade de aprovação familiar post mortem, com a finalidade de evitar a recusa familiar alarmante. Aquela, por meio do Conselho de Medicina, tem de submeter seus profissionais a atuar na rede pública de saúde por pelo menos cinco anos antes de regulamentar em definitivo seu certificado, para que não faltem profissionais nos hospitais e unidades básicas de saúde no Brasil.