Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 19/04/2022
O filme da Netflix “Uma prova de amor” relata a história de uma personagem que passa por diversas cirurgias para tentar salvar a vida de sua irmã que apresentava falência renal, já que as listas de espera para doações de rins poderiam demorar anos. Logo, a trama é análoga à atualidade, haja vista que o dilema dos donativos de órgãos no Brasil, ainda é um tema a ser debatido. Por isso, fatores corroborantes à persistência do problema são a negligência governamental e despreocupação midiática.
Sob essa ótica, a escassez de medidas estatais que proponham amenizar e facilitar a doação de órgaos no país promove agrave à problemática. Sendo assim, a Lei do SUS defende a constituição da universalidade, integralidade e equidade. Entretanto, a expectativa legislativa distancia-se da realidade, já que muitas pessoas presentes em listas de espera para donativos de partes essenciais para o funcionamento do corpo humano, como o rim, fígado e o coração, acabam falecendo devido ao grande período de expectação.
Ademais, a falta de preocupação da mídia ao não implementar matérias que demonstrem a realidade das famílias que esperam anos por órgãos provocam a estaticidade do problema. Isso posto, segundo o filósofo alemão Jurgen Habermas, os meios de comunicação são imprescindíveis para a razão comunicativa. Sob esse viés, o pensamento proposto pelo autor é análogo à problemática, haja vista que os campos midiáticos deveriam aproveitar de sua importância comunicativa para promover debates que objetivem propor a movimentação popular e atitudes empáticas da sociedade, acerca das consequências familiares, econômicas e psicológicas ocorridas à essas pessoas.
Portanto, o Ministério da Saúde deve implementar medidas que facilitem o processo de doação de órgãos, a partir de reuniões administrativas entre as empresas responsáveis, visando propor projetos que diminuam o tempo de espera. Além disso, cabe à mídia e às pessoas que apresentam influência no contexto atual promoverem, a partir das redes sociais - que é o campo de maior atenção informacional -, debates que fomentem sobre a importância do apoio psicológico para essas famílias, bem como contribuição empática da sociedade.