Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 24/05/2022
A série americana “Grey’s Anatomy” se passa em um hospital e relata o cotidiano de profissionais da saúde que realizam inúmeros procedimentos diariamente, dentre eles os transplantes de órgãos, representados de forma idealizada. Distante do mundo cinematográfico, a realidade do Brasil apresenta diversos dilemas acerca da doação de órgãos. Assim, os principais problemas que se apresentam estão relacionados a um sistema de saúde deficitário e sucateado, além da ausência de políticas públicas que incentivem a doação de órgãos.
Em primeira análise, é válido destacar que, de acordo com Ministério da Saúde, mais de 95% dos transplantes realizados no país ocorrem pelo SUS (Sistema Único de Sáude). Ainda assim, é notável a falta de investimentos no setor da saúde pública, sobretudo no que se refere a procedimentos de alta complexidade, como transplantes. Logo, é imperativo apontar que, mesmo que haja possíveis doadores e, certamente, pessoas que precisem de órgãos, a dependência de um sistema de saúde sucateado pelo próprio estado acaba por matar a população que necessita desse tipo de procedimento.
Além disso, um segundo aspecto pertinente é que, de acordo com a Constituição Federal, toda a população tem direito ao acesso à saúde. Porém, ainda que o SUS ofereça tratamentos e cuidados gratuitos à sociedade, como a doação de órgãos que, para pessoas que precisam, é uma forma de cuidado básico para com sua saúde, depende também de outros indivíduos, e não somente do sistema. Portanto, mais uma vez, a falta de mediação e incentivo à doação por parte do estado, responsável pela conciliação do bem estar do corpo social, faz com que o dilema dos doadores-receptores acerca da problemática se perpetue.
Logo, é notável que medidas devem ser tomadas a fim de mitigar as consequências do imbróglio citado. Assim, cabe, destarte, ao Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, a destinação de mais verbas ao SUS, com a finalidade de promover campanhas de doação de órgãos, assim sendo, mais pessoas podem vir a doar seus órgãos e atender essa necessidade básica de parte da população, além de recursos para qualificar o próprio sistema. Dessa forma, talvez seja possível que o Brasil tenha uma realidade próxima da idealizada em séries de TV.