Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 10/06/2022

No Brasil, a Lei de Transplantes regulamenta a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo para fins de transplante e tratamento. No entanto, no cenário brasileiro atual, é notório o dilema em torno da doação de órgãos no que diz respeito a aceitação da prática. Com isso, a falta de discussão e informação sobre o assunto são fatores que potencializam a recusa.

Nessa perspectiva, apesar de ser um processo natural, a morte é considerada um tabu na sociedade, o que contribui para uma menor adesão da concessão de partes do corpo. No livro ’’ A morte é um dia que vale a pena viver’’, de Ana Claudia Quintana, aborda sobre a dificuldade da humanidade de lidar com a morte. Sob essa ótica, não discutir sobre o fim da vida, faz com que o indivíduo não externalize para pessoas próximas o desejo de conceder partes do seu organismo após a morte. Dessa forma, a família é quem fica responsável por essa decisão e, pelo luto devido a perda do ente querido, há maiores chances de rejeição dessa concessão.

Além disso, a falta de informação sobre os protocolos seguidos antes do transplantes aumentam a negação pelo procedimento. Em um dos episódios da série ‘‘Sob pressão’’ é contada a história de um jovem que teve morte cerebral após um acidente. Embora não houvesse nenhuma chance, a mãe do jovem não autorizou a doação dos órgãos por acreditar que seu filho iria se recuperar. Logo, fica evidente que não há divulgação sobre os critérios para determinar quando um indivíduo está apto para a retirada de seus elementos vitais, o que diminui drasticamente a aceitação do processo.

Portanto, a ausência de debate e esclarecimento sobre a doação de órgãos estimulam o estigma associado a essa temática. Por isso, é dever do ministério da saúde, instituição responsável pelo Sistema Único de Saúde (SUS), promover campanhas que prepare a família do paciente terminal sobre a possibilidade de ceder as estruturas corporais após a morte, por meio de conversas com psicólogos e médicos. Além disso, é papel do governo federal, estrutura responsável pelo bem-estar da população, criar programas que incentivem a doação de órgãos, por meio de programas de rádio e televisão. Só assim, o assunto será amplamente discutido e haverá uma maior adesão à prática como prevê a Lei de Transplantes.