Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 25/07/2022

De acordo o Ministério da Saúde, o Brasil é referência mundial na área de transplante de órgãos, entretanto, mais de 40 mil pessoas encontram-se na fila de espera, segundo a Associação Brasileira de Transplantes. Essa realidade é proveniente da falta de informação e conscientização sobre o assunto. Consequentemente, a recusa familiar se torna o maior empecilho para doação, além da falta de estrutura hospitalar e preparo da equipe em comunicar à morte encefálica.

Para a legislação brasileira, todos os cidadãos são potenciais doadores, sendo um direito de cada pessoa decidir e comunicar à família sobre a sua escolha, entretanto, após a morte somente os familiares poderão autorizar o procedimento. Essa medida mostra-se pouco efetiva, pois a recusa familiar torna-se um entrave na realização dos transplantes, tendo como principais motivos, as crenças religiosas que alimentam à esperança de um milagre, a falta de entendimento em compreender o diagnóstico de morte encefálica e a não aceitação da manipulação do corpo.

Morte encefálica é a ausência total e irreversível de todas as funções do cérebro. O Ministério da Saúde possui um protocolo para confirmação dessa condição, através de exames clínicos, todavia, a falta de estrutura dos hospitais devido à carência de equipamentos, materiais e recursos humanos, é mais um obstáculo para a doação de órgãos.

Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, à exemplo do Governo do Ceará, divulgue através das instituições midiáticas à importância da doação de órgãos, reforçando que esse é um ato solidário, sendo que um doador pode salvar até oito vidas. Além disso, é de suma importância que a iniciativa governamental, através do Poder Legislativo de aprovar e o Executivo, sancionar, uma nova lei que disponibilize junto ao documento de identidade à vontade daqueles maiores de dezoito anos o desejo de ser um doador.