Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 27/07/2022
A série médica “Sob Pressão” retratou o dilema da doação de órgãos dentro de um hospital brasileiro. No episódio, uma mãe resiste ao diagnóstico de morte encefálica de seu filho e não aceita a ideia de doar os órgãos dele. Com isso, ao analisar a realidade brasileira, nota-se um cenário semelhante, no qual há muitas famílias que não autorizam essa concessão, devido a pauta pouco explorada tanto em campanhas publicitárias, como na escola, o que dificulta que a população assimile a importância desse ato e fique ciente dos pormenores do assunto.
Sob esse viés, é relevante ressaltar que uma parte muito pequena das mortes encefálicas é revertida em doação de órgãos. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, apenas 1.800 doações das 6 mil possíveis em 2012 foram autorizadas pelas famílias dos pacientes com morte cerebral. Dessa forma, é possível estimar que devido a ausência de explanação acerca do método de retirada do órgão, a tendência é a rejeição, já que não é comum que campanhas sobre este tema sejam veiculadas regularmente. Diante disso, há a complicação da situação das pessoas que padecem nas filas de transplante.
Além disso, outro vetor recai sobre as lacunas educacionais existentes. Conforme o educador Paulo Freire, a educação sozinha não transforma a realidade, mas sem ela não ocorrerá mudança. Sendo assim, a falta de abordagem de assuntos sobre doação de órgãos nas pautas escolares, sobretudo nas aulas de biologia, contribui para a desinformação popular e, consequentemente, para a manutenção da ideia de não autorização das famílias diante de um eventual momento de decisão que envolva esta temática.
Depreende-se, portanto, que a mídia, responsável por exercer o papel de mediadora do conhecimento, deve promover a informatização a respeito da necessidade da doação de órgãos, por meio de campanhas publicitárias diárias, a fim de popularizar esse tema e conquistar o aumento dessas concessões. Paralelamente, o Ministério da Educação deve incluir o ensino detalhado do procedimento e da importância da doação de órgãos nas aulas de biologia destinadas ao Ensino Médio, por intermédio de modificações na base curricular, para que cresça uma geração com plenas condições de decidir conscientemente.