Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 02/08/2022
No livro “Eu e esse meu coração” de C. C. Hunter, a personagem principal Leah Mackenzie possui um coração artificial e vive com os dias contados, até receber a doação do órgão de um garoto da sua escola que morreu. Assim como Leah, a chance de sobrevivência de milhares de pessoas é o transplante. Entretanto, a doação de órgãos no Brasil ainda enfrenta muitos dilemas como a recusa dos familiares e a falta de estrutura hospitalar no país.
Em primeiro lugar, a negativa dos parentes dos possíveis doadores de órgãos é o principal impedimento para que os transplantes ocorram. Segundo a legislação brasileira, a doação de órgãos e tecidos só pode ser realizada com o consentimento da família após confirmar a morte cerebral. Mas, de acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), 40% dos familiares não autorizam os transplantes. Seja pela falta de conhecimento, pelo preconceito ou falta de solidariedade, a recusa por parte desses parentes representa um entrave para a doação de órgãos no Brasil.
Além disso, a falta de preparo dos hospitais na nação brasileira também é um dilema para a transplantação. De acordo com a pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, 78% dos médicos consideram a estrutura hospitalar brasileira despreparada. Sendo assim, ainda é frequente em hospitais públicos os problemas de leitos, a ausência de profissionais qualificados e a falta de equipamentos necessários para a constatação da morte encefálica, o que leva a um atraso nas doações de órgãos.
Portanto, fica claro que a realização de transplantes no Brasil ainda enfrenta muitos dilemas. O Ministério da Saúde, por meio do Sistema Nacional de Transplantes, deve educar a sociedade acerca das doações de órgãos, incentivando que as pessoas manifestem em vida o desejo de ser doador, criando, por exmplo, slogans criativos e convincentes. Isto deve ser feito para que haja mais doadores no Brasil e para que alguns dos entraves sejam resolvidos. Assim, casos como o da personagem Leah Mackenzie se tornarão mais frequentes e mais vidas serão poupadas.