Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 15/09/2022

Machado de Assis, na fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam esse país. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão do dilema da doação de órgãos. Nesse contexto, essa hesitação na concessão dos órgãos é resultado de uma educação deficitária, além da pouca disscusão sobre o tema.

Nessa perspectiva, há a questão da fraca instrução nacional, que contribui

decisivamente na consolidação do problema. Sob esse viés, para o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. No que tange à indecisão na doação de estrututas humanas , percebe-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não instrui os estudantes sobre o quão importante é esse ato, impedindo que muitos deles, após a morte, auxiliem outros indivíduos. Dessa forma, segundo dados da Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos, a cada 1 milhão de brasileiros, apenas 20 oferem seus tecidos depois de sucumbirem. Logo, verifica-se que é extremamente necessário que as instituições de ensino orientem os estudantes sobre a magnitude dessa ação na preservação da vida alheia.

Outrossim, a ausência de debate ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Nesse sentido, o filósofo Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Todavia, nota-se que praticamente não há iniciativas por parte da mídia nem do poder público em colocar essse tópico em debate nos meios de comunicação, pois, infelizmente, é pequeno o interesse do corpo social nas pessoas que precisam desses órgãos. Por conseguinte, consoante o Ministério da Saúde, mais de 50 mil pessoas estão na fila de transplante de rim no país. Desse modo, verifica-se que é preciso discutir o assunto para que mais indivíudos tornem-se doadores.

Destarte, o Minstério da educação deve, por meio de projetos nas escolas, instruir os alunos sobre a necessidade da doação de órgãos após a morte. Para isso, especialistas no assunto precisam ministrar palestras nessas insituições. Por fim, a medida tem a finalidade de que os estudantes compreendam a importância de ceder suas estruturas. Ademais, o Ministério da Saúde carece, por intermédio da mídia, incentivar o debate sobre a cessão de tecidos humanos no país.