Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 11/10/2022

A Constituição de 1988, prevê no Artigo 6°, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileira. Apesar disso, observa-se que essa legislação não se aplica na realidade, visto que os indivíduos na modernidade não tem empatia pelo coletivo, evidenciado pela baixa adesão de doação de orgãos, que coloca, infelizmente, a vida destes brasileiros em risco. Nesse sentido, esse dilema ocorre devido à negligência governamental e ao individualismo.

A princípio, deve-se ressaltar a ausência de medidas estatais para superar o dilema doação de órgão na humanidade. Diante disso, o filósofo contratualista do século XVII, John Locke defende que os indivíduos renunciaram seu estado de natureza -estado sem leis- em troca de um Estado que garante direito à saúde na sociedade civil. Sob essa ótica, evidencia-se a falta de iniciativas da Máquina Pública em debater sobre a importância de doar órgãos para pessoas que necessitam, e de avisar aos familiares a vontade de contribuir para a doação de seus órgãos, visto que esse assunto não é conhecido na sociedade, o que se configura como uma ruptura do “Contrato Social”. Desse modo, é intolerante a inércia estatal, pois, milhares de brasileiro não tem chance de sobreviver a patologia, gerando um quadro desumano.

Ademais, é fundamental apontar a falta de compaixão dos indivíduos na sociedade como dilema da doação de órgãos. De acordo com o filósofo Bauman, o ser humano ancorado no discurso consumista, vive a vida sem se questionar sobre o que acontece ao seu redor. Vive-a como expectador, não como protagonista. Diante do exposto, depreende-se que a sociedade alienada pelo consumismo, não reflete sobre a questão de fazer doação voluntária dos órgãos, ignorando o sofrimento alheio. Nesse cenário, faz- se urgente mudar a mentalidade social.

Infere-se, portanto, a necessidade de combater os dilemas da doação de órgãos no Brasil. Para isso, é imprescindível que o Governo -órgão responsável pela harmonia social- invista em campanhas educativas em canais de televisão sobre a importância da doação, por meio de recursos alocados pelo Tribunal de Contas, a fim de desenvolver o sentimento de solidariedade. Assim, consolidar-se-à uma sociedade mais empática e, em que o Estado cumpra os pilares da Carta Magna.