Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 21/10/2022
Em consonância com a sociedade egípcia, era comum a prática da mulmificação como forma de preservação do corpo após a morte, visto que os indivíduos do Egito acreditavam na vida eterna. Nesse sentido, até os dias de hoje, ainda é comum essa lógica da conservação do corpo para a encarnação. Com isso, é um dilema a doação de órgãos no Brasil. Diante dissso, deve-se analisar a ausência de debates midiáticos e a falta de ações governamentais, na intenção de desconstruir essa cultura da materialização do corpo humano.
Diante desse cenário, a ausência de debates midiáticos, no sentido de desmistificar essa crença, sobretudo religiosa, da conservação do corpo após a morte é um problema. De acordo com o mundo antigo, havia um pensamento mitológico que se sepultasse um indivíduo sem a presença de um membro, esse cidadão iria reencarnar com deficiência. Nesse contexto, muitas instituições religiosas, por exemplo, a Testemunha de Jeová, acreditam que a doação de órgãos é um ato manipulável do corpo, embora pesquisas cientifícas, como as realizadas pela universidade USP, apontam que a morte encefálica é irreversível. Por isso, é fundamental a presença da mídia, devido seu alto alcance de telespectadores, para desfazer esse senso comum, a fim de aumentar a solidariedade social no país.
Ademais, a falta de ações governamentais, na intenção de conscientizar a população civil sobre a importância de autorizar a doação de órgão e abdicar do pensamento grego, também, é uma problemática. Isso porque, ainda é pouco retratado na cidadania os fundamentos da morte encefálica, visto que desde os primordios educacionais, é ensinado de forma contraditória que o funcionamento do coração é o responsável pela continuidade da vida. Dessa maneira, nota-se que o tecido social é carente de informações, consequentemente, essa escassez de comprometimento, principalmente, do Estado, em promover a conscientização da irreversibilidade do óbito, causa um tabu na esfera social sobre a doação de órgãos.
Por fim, após os argumentos abordados, medidas são necessárias para reverter esse impasse. Portanto, o Estado, em parceria com a mídia, deve promover debates, por meio da participação de equipes médicas, psicológos e famílias que já autorizaram a doação de órgãos, a fim de promover solidariedade social.