Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 24/07/2023

O escritor Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “No meio do Caminho”, retrata, de modo figurado, os contratempos que o ser humano sofre em sua jornada. Analogamente, esse preceito assemelha-se à luta cotidiana das doações de órgãos no Brasil, visto que muitas pessoas ainda possuem preconceitos e falta de conhecimento sobre a importância da doação. Dessa maneira, é evidente que a problemática se desenvolve não só devido à ignorância social, mas também a falta de comunicação em vida sobre o desejo de ser um doador de órgãos.

Em primeiro plano, é lícito postular a ausência de medidas governamentais para combater os prejulgamentos da doação. Sob a perspectiva do filósofo São Tomas de Aquino, em uma sociedade democrática, todos os indivíduos são dignos e tem a mesma importância, além dos direitos e deveres que devem ser garantidos pelo Estado, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, por causa da baixa operação das autoridades, as filas para o recebimento de órgãos doados ainda possuem um longo período de espera, custeando a vida de pessoas doentes. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, a falta de comunicação em vida, sobre a vontade de ser um doador de órgãos, também pode ser apontado como promotor do problema. De acordo com o site Agência Brasil, os números de transplantes no país cresceu cerca de 63,4% em 2014, e é fundamental que essa porcentagem se desenvolva ainda mais. Partindo desse pressuposto, é considerável que uma parte da população pode não ter comunicado o desejo de ser doador à seus familiares, fazendo a lista de espera por doações de órgãos ficar cada vez mais lenta e longa. Destarte, tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o silêncio do desejo de se tornar um doador contribui para a perpetuação desse cenário caótico e gera mortes.

Portanto, o Ministério da Saúde deve realizar propagandas em canais de alta audiência, entrevistando profissionais da saúde e receptores de órgãos, para incentivar a população a conversar com seus familiares sobre a doação de órgãos, com o objetivo de salvar vidas que dependem de uma lista de espera. Dessa forma, tirando as pedras do meio do caminho, e construir-se-á um Brasil mais democrático e preocupado com a saúde da população.