Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 29/08/2023

Segundo o filósofo Platão, a qualidade de vida é tão relevante quanto o viver em si. Todavia, percebe-se que, no Brasil, essa ideia está distante de ser alcançada, pois, de maneira inaceitável, não é dada a devida importância a doação de órgãos, o que afasta a sociedade de atingir o bem-estar. Dessa forma, fica claro que a ausência de políticas públicas e o tabu sobre doação de órgãos são alguns dos percursores da problemática.

De início, é importante ressaltar a ausência de políticas públicas como motivador do problema. Nesse sentido, de acordo com a OMS, investir em saúde resulta em ganhos para todos: indivíduos, comunidades e economias. Nessa perspectiva, uma vez que cresce a fila na espera de órgãos no contexto brasileiro, segundo o Ministério da Saúde, percebe-se o quão nefasto é que o poder público não cumpra seu papel como agente promovedor do bem-estar da sociedade, o qual não age de forma rígida para mitigar o problema, a exemplo da Espanha, a qual afirma que todo cidadão espanhol é um doador, a menos que expresse seu desejo contrário em vida, o que sucede no aumento de doadores. Portanto, torna-se imprescindível ações para combater a falta de políticas públicas para aumentar o número de doadores.

Ademais, o tabu sobre doação de órgãos figura-se um grande obstáculo para resolução do assunto. Desse modo, segundo Margaret Chan, médica chinesa, a falta de informação é o maior obstáculo para a superação de barreiras culturais na busca pela saúde. Diante disso, é indubitável a presença desse aforismo no contexto brasileiro, posto que, devido ao tabu criado sobre a doação de órgãos, a maior parcela do corpo social não procura informações, seja por intermédio das mídias digitais, seja por cartazes. Por conseguinte, esse problema resulta em efeitos nefastos, como a baixa adesão de doadores, aumentando, assim, o número de pacientes a espera de um órgão.

Logo, cabe ao Ministério da Saúde – visto que é a pasta do governo responsável pela saúde pública e privada do país - promover o aumento da conscientização, por meio de amplas palestras sobre o assunto nas mídias digitais e em praças , a fim de mitigar a ausência de políticas públicas e o tabu sobre o assunto.