Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 13/09/2023
Recentemente, um assunto que teve repercussão foi a necessidade do transplante de coração para o apresentador Faustão, mostrando como a doação de órgãos ainda enfrenta dificuldades para atender os que aguardam pelo procedimento cirúrgico. É válido ressaltar que ocorre uma grande recusa das famílias para a realização da doação devido a falta de conhecimento sobre o transplante e o conceito de morte encefálica.
De acordo com o levantamento da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o número de familiares que recusam-se a doar aumentou para 49% neste ano, relacionando-se ao desconhecimento, sendo possível observar isso ao redor, já que não há um conhecimento prévio sobre o assunto sendo ensinado nas escolas e tampouco alguma propaganda para incentivar a ação, que mostre a importância da doação e como ela pode salvar muitas vidas e famílias. Para além deste fato, há certa inconformidade quando a causa da morte é encefálica.
Resumidamente, trata-se de uma morte cerebral, não havendo nenhuma chance de reversão, já que o órgão em questão para de funcionar por completo. Isso acaba por levar a certa confusão com o coma, que é reversível, mas no caso da morte encefálica o cérebro não recebe mais sangue, acontecimento que certamente deixa a família desestruturada para pensar em doar partes do ente falecido, ainda mais que é definido por lei que, ao constatar óbito por essa causa, o transplante pode ser realizado mediante aprovação dos familiares. Por haver a confusão entre o conceito de coma e morte encefálica, observa-se apenas mais um fator que colabora para a recusa na hora da doação, gerada pela falta de conhecimento.
Em suma, é um assunto de extrema importância e que deve receber maior atenção. Para mostrar a necessidade e importância da doação de órgãos, o Ministério da Saúde pode, através de campanhas e propagandas, informatizar as pessoas sobre como é realizado o procedimento e esclarecer o conceito de morte encefálica.