Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 12/09/2023
Dilemas da doação de órgãos: um paralelo com o Barco de Teseu
Em 2022, o percentual de recusa de doação de órgãos atingiu valor recorde, com 47%, segundo dados da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Ór-gãos), mesmo com o Brasil liderando doações. Nesse sentido, pode-se afirmar um paralelo com o Barco de Teseu, tendo em vista que muitas vezes há a recusa do destinatário ao receber órgãos por acreditar que a transposição o alterará, porém o indivíduo continuará a ser o mesmo e deve-ria ser concientizado a aceitar a doa-ção, visto que sua essência permanecerá independente do órgão ser substituído.
Com o fim de elucidar o questionamento da autenticidade, é proposto o Para-doxo do Barco de Teseu, o qual questiona se um barco que tenha tido todas suas tábuas trocadas ao longo do tempo realmente é o mesmo barco de outrora. Herá-clito afirma que “não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio, pois nem o homem, nem o rio serão os mesmos”, defendendo a mutabilidade constante, inde-pendente de serem substituídas partes do corpo humano ou do barco.
Em contrapartida, Parmênides defende que a essência de algo não muda. Por mais que um mesmo ser vivo pense de forma oposta quando criança e no momen-to adulto, a voz interior que escuta e observa o filme da vida passar, bem como su-as ações, permanece a mesma. Logo independente do recebimento de um novo ór-gão, ou de uma nova tábua, a real essência do ser será inalterada.
Em suma, o Paradoxo do Barco de Teseu esclarece a questão de autenticidade, fator que atingiu recordes na recusa de recebimento de órgãos. Independente da transposição de órgãos, a mudança será constante, mas a essência do ser perma-necerá a mesma. Portanto, é imprescindível que existam mais campanhas públicas de conscientização sobre a doação, bem como dilemas sobre o recebimento de ór-gãos, para que tenhamos um mundo mais justo e igualitário.