Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 21/09/2023

A Lei federal n° 9434, sancionada por Fernando Henrique Cardoso, autoriza a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento. No entanto, a doação de órgãos não é um processo tão rápido e simples, e aqueles que a necessitam enfrentam dilemas constantes, como a falta de doadores e a demora na fila de espera.

Em primeira análise, a carência de doadores efetivos é uma problemática que prejudica diretamente o avanço e sucesso das doações de órgãos. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, a desinformação a respeito do processo e a não concordância da família, que atingiu uma taxa de 45% no ano de 2021, são os dois principais fatores que colaboram para o baixo número de contribuintes para a causa e a consequente baixa disponibilidade de órgãos. Sendo assim, é evidente a necessidade de uma ação imediata para que seja possível a reversão do quadro apresentado.

Em segunda análise, a interminável espera pela disponibilização de um órgão causa frustração e complicações no quadro de saúde do paciente. De acordo com dados da Associação Médica Brasileira, cerca de 4,2 mil pessoas morreram no aguardo por um transplante, seja por falta ou incompatibilidade de órgãos, ou ausência de infraestrutura necessária para realização do procedimento em uma determinada região. Portanto, é indispensável que o sistema de saúde tome providências com o intuito de evitar maior mortalidade na fila de espera.

Logo, cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável pela elaboração de planos e políticas voltadas para a prevenção e à assistência à saúde, incentivar a doação de órgãos e aprimorar a estrutura de organização para tal procedimento, através de campanhas de conscientização em escolas e meios de comunicação e maior investimento em tratamentos alternativos durante a espera, a fim de tornar o transplante de órgãos uma realidade para mais cidadãos brasileiros.