Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 13/09/2023
Em seus estudos na área da Análise do Discurso, Foucault constatou que alguns assuntos recebem mais visibilidade na sociedade em detrimento de outros. Nesse sentido, ao tomar como base a teoria sobredita, verifica-se sua coerência ao relacioná-la a doação de órgãos, pois essa questão merece maior destaque na sociedade brasileira. Dessa forma, são necessárias algumas medidas para solucionar essa questão, a qual é motivada não só pelo desconhecimento dos processos do procedimento, pois duvidam da segurança do mesmo, mas também pelo fato de ser uma pauta pouco explorada em campanhas governamentais quanto em outras esferas.
A princípio, e importante ressaltar que De acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), apenas 1.800 doações das 6 mil possíveis em 2012 foram autorizadas pelas famílias dos pacientes. Dessa forma, é possível aferir que por conta da falta de esclarecimento desses indivíduos acerca do processo de retirada dos órgãos, a tendência natural é a negação, já que não é comum que campanhas sobre o tema sejam veiculadas na televisão ou nas redes sociais.
Ademais, apesar de existir um bom funcionamento institucional quanto aos transplantes de órgãos, considerando que, ainda segundo o jornal O Globo, 93% dos procedimentos são feitos pelo SUS, pouco investe-se na assimilação individual acerca da importância da doação. Esse assunto e seus devidos esclarecimentos não são pautas comuns nas escolas, desde o ensino fundamental até o ensino médio, nem mesmo nas aulas de biologia. Por conta disso, a temática fica pouco explorada e em um eventual momento de decisão, a família reage com surpresa ao sugestionamento dos médicos sobre a importância da retirada dos órgãos, não autorizando-a devido ao desconhecimento e ao choque de uma situação delicada.
Entretanto, e dever do Ministério da Educação incluir o ensino detalhado do procedimento e da importância da doação de órgãos nas aulas de biologia destinadas ao Ensino Médio, com o intuito de introduzir previamente o conhecimento aos cidadãos brasileiros e garantir que em uma possível decisão que tenham de tomar sobre o assunto.