Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 11/09/2023
O filósofo brasileiro Raimundo Teixeira, em 1889, adaptou o lema positivista “Ordem e Progresso” não só para a Bandeira Nacional, mas também para uma nação que enfrentou significativos estorvos para o seu desenvolvimento. Lamentavelmente, entre eles, os dilemas acerca da doação de órgãos representa uma antítese ao símbolo pátrio. Dessa forma, este cenário é resultado tanto da presença da escassez de doadores, quanto da recusa da família doadora.
A princípio, é imperativo ressaltar que a escassez de doadores é um desafio persistente e preocupante no campo da medicina. Ainda mais, a demanda por órgãos adequados para transplantes supera a oferta disponível, resultando em longas listas de espera e, em muitos casos, na perda de vidas preciosas. Partindo desse pressuposto, faz-se necessário o desenvolvimento de sistemas de distribuição justa e equitativa de órgãos, garantindo que aqueles que precisam de transplantes tenham a oportunidade de receber o órgão vital a tempo.
Ademais, é fulcral pontuar que a recusa familiar nas doações de órgãos torna-se um dilema por ressaltar a importância de respeitar a vontade do doador e, ao mesmo tempo, a urgência de salvar vidas por meio dos transplantes. No Brasil, a doação de órgãos e tecidos ocorre somente após a validação e autorização da família doadora. Desse modo, entende-se que é necessário que a doação seja um ato voluntário, informado e validado mesmo que exista uma situação de grande carência médica.
Conclui-se, assim que, a recusa familiar e a persistência na escassez de doadores são dois aspectos intrincados que envolvem um dilema de salvar vidas por meio de transplantes. Dessarte, com o intuito de viabilizar a doação de órgãos, é preciso que o Ministério da Saúde - por intermédio de propagandas e campanhas de conscientização - se mobilize para transformar esses dilemas, ou seja, buscar a melhora desses aspectos para que todos tenham uma possibilidade de vida.