Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 12/09/2023

A doação de órgãos é um tema que permeia nossa sociedade, suscitando debates éticos, médicos e sociais. Em 1954 o médico Joseph Murray foi o responsável por realizar o primeiro transplante de órgão humano no mundo e ganhou o Prêmio Nobel por isso. Mesmo com a evolução da medicina, ainda existem pessoas que se sentem inseguras com relação ao procedimento. Neste contexto, é crucial analisar as questões que cercam esse processo, a fim de encontrar soluções que promovam a doação de órgãos de maneira ética e eficaz.

Em primeira análise, um dos principais dilemas relacionados à doação de órgãos é a escassez de doadores em relação à demanda. de acordo com a ABTO, de 6 mil pessoas que tiveram morte cerebral (em 2012), somente 1.800 se tornaram doadoras, ou seja, ainda existe uma aderência muito baixa por conta de parentes que negam e desconhecem os requisitos de doação. Essa situação cria um impasse ético, onde a necessidade de salvar vidas colide com o direito individual de decisão sobre o próprio corpo. Por se tratar de uma situação muito delicada e que poucas famílias discutem, na hora em que o parente falece, a primeira reação é negar a doação. é dever do Estado proporcionar esse debate nos mais variados âmbitos sociais.

Ademais, é importante enfatizar a precária infraestrutura hospitalar com relação à doação de órgãos. De acordo com dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 70% do material doado não é utilizado a tempo. Esse assunto e seus devidos esclarecimentos não são pautas comuns nas escolas, nem mesmo nas aulas de biologia. Além disso, é necessário fortalecer a transparência e a equidade no sistema de alocação de órgãos, assegurando que as decisões sejam baseadas em critérios médicos claros e justos.

Nessa conjutura, medidas são necessárias para mudar esse quadro. O Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde deve investir mais em campanhas que sejam feitas nas escolas, nos metrôs, ônibus e locais públicos, com o intuito de fazer com que as pessoas passem a ser mais abertas à ideia de doação de órgãos, garantindo que a doação de órgãos continue a ser uma esperança para aqueles que aguardam por uma segunda chance na vida.